Apresentado no segundo encontro “Triângulo Estratégico: América Latina – Europa – África”, organizado pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL) e Secretaria Geral Ibero-Americana, o estudo vem comprovar a importância do fator cultural, afirma o presidente do IPDAL.

“A proximidade linguística beneficia bastante fazer negócios. É uma mais valia na América Latina”, disse à Lusa Paulo Neves.

Segundo o estudo, uma antiga relação colonizadora e uma língua comum potenciam o comércio em 900% e 200%, respetivamente, fazendo destes “fatores significativamente mais impactantes do que a distância física”.

“Na análise das condições para um Triângulo Estratégico, a dimensão cultural apresenta uma relevância económica frequentemente subestimada”, refere.

O benefício resulta da redução de custos de transação entre países com a mesma língua, mas também é identificado um “potencial nas indústrias diretamente ligadas à língua, isto é as indústrias culturais e criativas, de que são exemplo os conteúdos de comunicação, arquitetura/design ou desenvolvimento de software, com crescente peso no PIB”, adianta.

Outros fatores decisivos para potenciar os negócios são a existência de uma moeda comum ou de um bloco regional comum.

Luís Pedro Duarte, Managing Director da Accenture, responsável pela área de Estratégia em Portugal, Angola e Moçambique, afirma na introdução do estudo que “existem razões de otimismo sobre a diferenciação deste Triângulo no palco global”.

Entre estas estão o “capital humano, reconhecendo a necessidade do equilíbrio entre demografia, saúde, educação e urbanização; os recursos naturais, com ênfase no potencial alimentar; e a proximidade cultural”, além da localização geográfica, que pode ser “um relevante factor de vantagem competitiva face a outras regiões”.

As conclusões do estudo apontam para a complementaridade das três regiões, “constituindo um mercado de dimensão relevante e equilibrado”.

“A fusão das pirâmides demográficas é uma ilustração clara, em que a jovem África, compensa cada vez mais o “velho continente”. Para esta Europa, modelo de protecção social e virada para si mesmo, todavia estável e sem conflitos estruturais, o seu papel como “pivot” no Triângulo Estratégico carece de uma maior concretização”, realça o documento.

Exemplo é que o investimento asiático no hemisfério sul está a ser mais dinâmico, mostrando que “a liquidez financeira da Ásia” pode ser uma vantagem difícil de superar.

Segundo o estudo, a Ásia investe 8 vezes mais que América Latina e África juntas em mercados emergentes.

PDF // APN – Lusa/Fim

RELACIONADAS