A recomendação saiu da conferência “A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília”, realizada hoje em Lisboa, que juntou cerca de duas dezenas de organizações da sociedade civil envolvidas na promoção do português, língua falada em oito países, por cerca de 250 milhões de pessoas, “e em crescimento no número de falantes”.

“É urgente definir políticas de ensino, quer a nível supranacional, que impliquem todos os países da CPLP, quer a nível nacional, que atendam às especificidades de cada país”, referem as conclusões e recomendações da conferência, em que participaram cerca de 150 representantes de Fundações, ONG e outras associações.

Além de uma “grande rede de formação no mundo, a ser apoiada por instituições públicas dos diferentes países e em coordenação com a CPLP”, os participantes propõem ações para que o português “se aproprie dos termos técnicos e científicos utilizados em inglês e se possa expandir no mundo científico e ser divulgada na internet”.

“É necessário uma política clara do ensino da Língua Portuguesa, envolvendo o Estado e a sociedade civil, (…) partilhar experiências e definir estratégias, para o estabelecimento de uma rede, não só à escala nacional, mas também com os restantes países lusófonos e as diásporas, sobre o ensino da língua”, adianta o documento.

Para Eugénio Anacoreta Correia, um dos organizadores, a conferência mostra que “há uma resposta da sociedade civil”, que está disposta a complementar os esforços do Estado, num ano em que Lisboa acolhe a II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial.

A conferência abordou ainda questões ligadas ao papel da sociedade civil no âmbito do Plano de Brasília, aprovado pela CPLP em 2010, à língua portuguesa na comunicação social e também nas organizações internacionais.

Entre as recomendações está ainda uma estratégia de promoção do português nas organizações com “ação conjugada de todos os países onde é considerado língua oficial, mobilizando a CPLP, colocando tal objetivo no centro das atividades do Instituto Internacional de Língua Portuguesa”.

Propõem ainda o financiamento de ações de formação em língua portuguesa para diplomatas, técnicos e outros atores de instituições internacionais, bem como das ONG para o desenvolvimento que acomodem o português nas suas atividades.

Outra proposta é a “alargada disponibilização, em suporte informático, de glossários e vocabulários especializados em língua portuguesa, cobrindo as temáticas das grandes organizações multilaterais ou regionais, de atualização permanente, sob a responsabilidade articulada de instituições académicas e científicas, bem como de outras estruturas especializadas dos oito [países lusófonos], sob a tutela do IILP”.

Especificamente para a ONU, é proposta a nomeação de uma missão integrada por ex-presidentes de Estados de língua portuguesa, “como embaixadores especiais” com o mandato da adoção do português como língua oficial.

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Lusa/Fim

Fotos:

Eduardo Marçal Grilo, no uso da palavra no painel” A Sociedade Civil nas Estratégias de Afirmação da Língua Portuguesa.

 

Sessão de abertura da conferência “A Sociedade Civil no Plano de Ação de Brasília”, na Academia das Ciências de Lisboa, 31 de janeiro de 2013. JOAO RELVAS/LUSA

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