Raquel Almeida aprendeu a ler com 5 anos e não sabe dizer exatamente quando começou a escrever, mas sempre foi uma prática continua na sua vida ler e escrever. Na infância a escrita era uma rota de fuga para colocar os sentimentos sem precisar se expor muito, sem qualquer pretensão literária, mas como uma forma de estar perto das letras. Com o tempo, na juventude e com a participação no grupo de rap Alerta ao Sistema é que vem o início de uma criação poética. É quando começa a participar de Saraus e o convívio com mulheres poetas que se sente incentivada a publicar seu o primeiro livro de poesias.

Sobre ser escritora na periferia 

“É carregar várias bagagens, uma delas é o rompimento do que estava proposto dentro de um sistema machista. Parece que rompemos muitas barreiras, mas há muitas outras para podermos nos firmamos dentro do espaço literário.”

Segundo Raquel, ainda vivemos num mercado que seleciona uma entre milhares e dentro de uma “caixinha”, de um padrão, mas há muitas mulheres boas a escrever na periferia. É uma luta quotidiana para as mulheres negras que querem se afirmar dentro de um espaço onde querem atuar, na literatura é um deles.

Se sente responsável por novas vozes femininas dentro da sua comunidade?

Poeta, escritora, arte-educadora, editora do selo Elo da Corrente Edições e produtora cultural, é fundadora do Coletivo literário Elo da Corrente, grupo que atua no bairro de Pirituba desde 2007 no movimento de literatura periférica/negra, realizando um sarau mensal e mantendo uma biblioteca comunitária no bar onde realiza o sarau. Atividades que fazem de Raquel referência para muitas outras mulheres negras da periferia.

Quando prepara a lista das pessoas que irão recitar no Sarau e percebe que há mulheres que homens, Raquel diz “é isso”, é a sensação de que o trabalho está a dar certo, que outras vozes femininas estão a se expressar.

Confira a entrevista completa de Raquel Almeida nos diálogos da Feira Literária do Sol, com apresentação desta jornalista e escritora luso-brasileira que escreve a coluna do OLP.

Raquel Almeida

Obra individual:

Contos de Yõnu (Contos), 2019 Elo da Corrente Edições;

Sagrado Sopro – do solo que renasço (Poesias), 2014 Elo da Corrente Edições;
Duas Gerações Sobrevivendo no Gueto (contos, poesias e crônicas), 2008, co-autora Soninha MAZO – Elo da Corrente Edições.

Participou de diversas antologias entre os quais:

Olhos de Azeviche – contos e crônicas Org. Wagner Amaro – Editora Malê 2020.

Ser Prazeres/transbordações eróticas de mulheres negras – poesia – Org. Carmen Faustino, Editora Oralituras;

Cadernos Negros 30 e 41, Negrafias I e II – Org. Marciano Ventura;

Pelas Periferias do Brasil II e Antologia Sarau Poesia na Brasa I, II, III e IV;

Antologia Sarau dos Mesquiteiros – Pode Pá que é Nóis que Ta 2012 – Org. Rodrigo Ciriaco, Prosa e Poesia (vários autores);

Antologia Sarau Perifatividade II 2012 – Org. Coletivo Perifatividade, prosa e poesia (vários autores);

Perifeminas mulheres no hip hop nossa história  I  2013 – Org. Lunna Rabetti, prosa, poesia e relatos (várias autoras);

Pretextos de Mulheres Negra  – Outubro 2014 – Org. Elizandra Sousa e Carmem Faustino (várias autoras).

FEIRA LITERÁRIA DO SOL – ITINERÂNCIAS 2022

Realização:

Nix Diversidade e Economia Social

Apoio:

Secretaria Municipal de Cultura – Prefeitura Municipal de São Paulo

Parceiros:

Kilometrarte

Observatório da Língua Portuguesa

PrumoPro

Rede Cidade de Comunicação

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Maria Alice Campos

Escritora, historiadora e jornalista luso-brasileira. Mestre em Ciência da Comunicação – Estudos dos Media e do Jornalismo, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Pós-graduada em Direito da Comunicação Social, pela Universidade de Lisboa. Roteirista para ficção e documentário para rádio, TV e cinema. Foi diretora da Rádio Cultura FM de Brasília e coordenou a equipe de roteiros nos testes da TV Digital brasileira junto a Empresa Brasil de Comunicação. Experiência de mais de 20 anos com o desenvolvimento, implantação e gestão de projetos para os segmentos da comunicação, cultura, economia criativa, meio ambiente, desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos. Produziu e coordenou projetos em Lisboa, na área de cultura hispânica e cinema. Compõe a equipe de consultores em projetos da produtora PrumoPro (São Paulo) e reside em Portugal. https://www.linkedin.com/in/maria-alice-campos/

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