O júri do Prémio, com um valor pecuniário próximo dos cinco mil euros (4.987, 98 euros) e direito a publicação da obra, foi constituído por Rogério Rodrigues, em representação da Câmara da Amadora, José Correia Tavares, representante da Associação Portuguesa de Escritores, e José Fanha, da Sociedade Portuguesa de Autores.

O vencedor é natural de Salvador da Bahia e reside, atualmente, no Rio de Janeiro. Ruy Reis Tapioca é autor dos romances “A República dos Bugres”, com o qual foi distinguido com Prémio Nacional Minas de Cultura/Guimarães Rosa de Literatura 1998, “Admirável Brasil novo”, “O Proscrito”, “Conspiração Barroca”, que lhe valeu o Prémio Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte 2005, e “O Senhor da Palavra”, com o qual conquistou o primeiro Lugar Nacional do Prémio Literário Cruz e Sousa 2008-2009.

Sobre “Personae”, o júri afirma, no comunicado enviado à Lusa, que é um “romance polifónico, narrado por muitas personagens (vozes), na primeira pessoa, e por um estranho narrador omnisciente, na terceira pessoa, que conduz a narrativa (a distância e oculto), tendo revelada a sua identidade somente no epílogo da obra”.

“Ao estilo de uma ‘novela policiária’, género literário que Fernando Pessoa sempre cultuou, como leitor e escritor, o romance ‘Personae’ (palavra que provém do latim Persona, que, na teoria de C.G. Jung, representa a personalidade que o indivíduo apresenta aos outros como real, mas que, na verdade, é uma variante às vezes muito diferente da verdadeira) narra o último ano de vida – 1935 – do grande poeta português de ‘Mensagem’”, lê-se no mesmo comunicado.

“Fazem parte e têm voz” no romance, “personagens literárias (fictícias) da trama, os principais heterónimos e criaturas literárias criadas por Fernando Pessoa, inclusive o próprio, como narrador ortónimo, além de participarem da urdidura do romance pessoas reais, amigas e desafetas do grande poeta, que, com ele conviveram, em suas deambulações pelas ruas da Baixa lisboeta, Bairro Alto, Chiado e o centro de Lisboa”, escreve o júri.

“Investigado pela PIC e pela PVDE [polícias políticas portuguesas de uma fase inicial da ditadura de Oliveira Salazar], consequência de poesias satíricas e cartas anónimas [que Pessoa escreveu], retiradas da famosa ‘arca’ do poeta, os papéis (apócrifos) foram anonimamente enviados à PVDE, sendo todos considerados ofensivos ao [então] presidente do Conselho de Ministros de Portugal”.

“O desenlace do romance é absolutamente inesperado, como soía acontecer com as ‘novelas policiárias’ solucionadas pelo doutor Abílio Fernandes Quaresma, uma espécie de ‘Sherlock Holmes português’, uma das principais personagens literárias criadas por Fernando Pessoa, que também faz parte da trama do romance”, rematam os jurados.

O júri desta 16.ª edição do prémio decidiu ainda atribuir uma menção honrosa à obra “Fragmentos”, de Margarida Fonseca Santos.

Esta obra trata-se de uma coletânea de contos de Margarida Fonseca Santos, dividida em duas partes, “Fragmentos Simples de Pessoas Complexas” e “Fragmentos Complexos de Pessoas Simples”.

“Estes são contos de pessoas como nós, em momentos da vida em que, num pequeno fragmento, tudo muda ou tudo se modifica. Uma visão do presente, escondido entre o passado e o futuro”, escreve o júri.

Margarida Fonseca Santos é natural de Lisboa, começou a escrever aos 33 anos, e dedica-se por inteiro à escrita, desde 1995.

Foi distinguida com Prémio Revelação APE/IPLB 1996, Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, em 1996, e Prémio Novela Manuel Teixeira Gomes (2007/08).

Escreve mensalmente contos para o Jornal de Letras e é responsável pelo projeto histórias em 77 palavras.

O Prémio Literário Orlando Gonçalves foi criado em 1998 pela Câmara da Amadora, visa homenagear a memória do escritor e jornalista Orlando Gonçalves, e “incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa”, segundo a Câmara amadorense.

Este prémio destina-se a galardoar, anualmente e de forma alternada, uma obra de ficção narrativa e um trabalho jornalístico de investigação ou grande reportagem. O prémio destina-se a galardoar, anualmente e de forma alternada, uma obra de ficção narrativa e um trabalho jornalístico de investigação ou grande reportagem.

NL // MAG – Lusa/Fim

Foto: Vários actores que integram o grupo “Hermengarda”, ligado ao teatro A Barraca, passeiam pelas ruas de Lisboa vestidos à imagem do poeta Fernando Pessoa, lembrando que a grande figura do primeiro modernismo português está viva, a 27 de setembro de 1989. António Cotrim / Lusa

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar