Em 2019 publiquei em inglês um longo artigo revisitando a questão da origem do nome “Brasil”. Ele foi depois traduzido e  publicado em japonês. Da revista Antíteses, do Brasil pediram-me uma versão portuguesa acrescida de uma nova introdução de modo a integrá-lo num número especial sobre os 200 anos da independência do Brasil.
Esse número acaba de sair. O texto é longo e muito pouca gente terá tempo e pachorra para o ler todo. Mas um olhar de relance sobre as primeiras páginas e a leitura da conclusão dará para se ficar com uma ideia.
Onésimo Almeida

(…) A ser assim, o nome Brasil constituirá mais uma prova do poder do imaginário no empreendimento das descobertas: Macaronésia, Antilhas, Índias Ocidentais, todos são nomes que precedem descobertas reais. A força dos mitos actuou sempre intensamente, e as velhas estórias sobre a existência de lugares mágicos e de fantasmas acreditados como autênticos, nortearam os navegadores de Quatrocentos e Quinhentos, na peugada das terras que os europeus medievais haviam inventado.

Encarado isoladamente, o caso do Brasil pode não ter muita força; visto, porém, dentro de todo este contexto das ilhas imaginárias europeias, creio que passa a fazer perfeito sentido. Se fosse apenas porque ali encontraram pau brasil o nome da terra poderia ter ficado Pau-Brasil em vez de Brasil somente. Parece-me, pois, lógico o argumento de que se terão juntado dois factores: a mítica e, durante quase dois séculos, esforçadamente procurada ilha Brasil deve ter surgido aos portugueses como tornada por fim realidade ali naquela terra do sul do continente americano, possuidora de tanto pau-brasil. (…)


 

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Onésimo Teotónio Almeida

Onésimo Teotónio Pereira de Almeida - Natural de S. Miguel, Açores, é doutorado em Filosofia pela Brown University em Providemce, Rhode Island (EUA). Nessa mesma universidade é Professor Catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, bem como no Center for the Study of the Early Modern World e no Wayland Collegium for Liberal Learning. Autor de dezenas de livros. Alguns dos mais recentes: Despenteando Parágrafos, A Obsessão da Portugalidade, e O Século dos Prodígios. A ciência no Portugal da Expansão, na área do ensaio. Em escrita criativa: Livro-me do Desassossego, Aventuras de um Nabogador e Quando os Bobos Uivam. Co-dirige as revistas Gávea-Brown, Pessoa Plural e e-Journal of Portuguese History bem como a uma série de livros sobre temática lusófona na Sussex Academic Press, no Reino Unido. É membro da Academia da Marinha, da Academia das Ciências e doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro.
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