O responsável, Rui D’Ávila Lourido, falava à Lusa a propósito do colóquio “Portugal-China: 35 anos de cooperação e potencialidades futuras”, organizado pelo Observatório da China, que decorre hoje e quinta-feira em Lisboa e Cascais.

Trinta e cinco anos depois do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a China, “o estado atual do relacionamento está em franco crescimento”.

“Nos últimos anos, deu-se um passo de gigante, com o aprofundamento em várias áreas e protocolos, como saúde, proteção recíproca de investimentos, comunicações, tecnologia e ensino na língua portuguesa”, afirmou o presidente da organização.

Para o responsável, assiste-se hoje “a uma consubstanciação do acordo de parceria estratégica entre a China e Portugal”, celebrado em 2005.

“Portugal tem aproveitado bem. A nossa balança de pagamentos para com a China é positiva e é um apoio à nossa economia, porque exportamos bastante mais do que importamos”, referiu.

Um dos exemplos do bom relacionamento é o interesse dos chineses na aprendizagem da língua portuguesa.

“A nível global, a China é o país onde o português, enquanto língua estrangeira, tem maior expansão”, referiu o responsável do Observatório, exemplificando que há cinco anos existiam “de três a cinco universidades” a oferecer aulas de português, quando atualmente há 22, estando prevista a abertura de cursos em mais oito instituições nos próximos cinco anos.

Isto, acrescentou, “demonstra o interesse da China no mercado lusófono, onde se destacam o Brasil, Angola, Moçambique e Portugal”.

Segundo Rui D’Ávila Lourido, “a China é uma economia e uma sociedade em franco progresso”, marcada pela ascensão de 300 milhões de pessoas à classe média e a saída de cem milhões do limiar da pobreza.

“A China já não é mais a fábrica de produção de produtos industriais e mercantis, mas um grande centro de consumo, que será um contributo para o desenvolvimento económico mundial e para as trocas”, sustentou, sublinhando que “o poder de compra chinês é imenso e a China necessita de diversificar os seus investimentos”.

Rui D’Ávila Lourido deixa um alerta: “Portugal deve dar uma atenção especial ao setor turístico”, já que as previsões apontam que, em 2020, cem milhões de chineses realizem viagens de turismo.

“Não há uma grande organização nessa área. Devem ser feitos cursos para o setor hoteleiro, para se preparar para receber os chineses da mesma forma que são recebidos na Ásia. Por exemplo, os quartos devem ter chaleiras para eles poderem preparar os seus chás”, mencionou.

A conferência “Portugal-China: 35 anos de cooperação e potencialidades futuras” começa hoje, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, com a presença do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, e o embaixador da China em Portugal, Huang Songfu, cabendo a conferência de abertura ao professor e antigo presidente do CDS Adriano Moreira.

A cultura e os laços diplomáticos e a lusofonia são temas dos painéis no primeiro dia de trabalhos.

O encontro prossegue na quinta-feira, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, para debater “Os Novos Caminhos do Conhecimento e da Aprendizagem nos Negócios” e “O Mar e Potencialidades Futuras”. O encerramento será feito pelo secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Gonçalves.

A organização cabe ao Observatório da China, uma associação multidisciplinar que pretende contribuir para a divulgação do conhecimento sobre este país em Portugal, em colaboração com investigadores e agentes culturais, nacionais e internacionais, além de instituições. A organização tem polos em Portugal, China (Macau e Pequim) e Brasil (Salvador da Baía).

JH // EL – Lusa/fim


Foto LUSA: O Presidente chinês Xi Jinping (D) e o Presidente de Portugal Aníbal Cavaco Silva (E). Beijing, China, 15 de maio de 2014. EPA/KIM KYUNG-HOON / POOL

Partilhar