Cidade da Praia, 09 set (Lusa) – A Rede de Estudos Ambientais dos Países de Língua Portuguesa (REALP) quer ultrapassar as suas limitações financeiras e integrar universidades e organizações de todos os países que compõem a CPLP, avançou hoje um membro da rede.

“A rede tem como objetivo integrar todos os países da CPLP, mas tem limitações financeiras para trazer todos, tem um quadro pequeno, assente em cima de universidades e de agências de financiamento, pelo que depende de recursos governamentais, que não gera”, disse João Nildo Viana, membro coordenador do Conselho de Representantes da REALP.

O responsável falava à imprensa no âmbito do 17.º encontro da organização que está a ser organizado no concelho da Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha, pela Universidade Pública de Cabo Verde (Uni-CV).

A Rede de Estudos Ambientais dos Países de Língua Portuguesa envolve neste momento instituições governamentais e universidades de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, faltando as da Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial.

Segundo João Nildo Viana, a integração as universidades e instituições governamentais depende da iniciativa de cada um dos países de língua portuguesa e que a rede já fez os convites, mas tem meios financeiros limitados para promover essa integração.

“É preciso que haja iniciativa dos países. Já fizemos vários convites, temos tido feedback, mas não temos a presença das universidades dos outros países”, lamentou o também decano da REALP e representante do Brasil.

A rede reúne-se anualmente num dos países membros para apresentarem os resultados da investigação produzida ao longo do ano, tendo o último encontro acontecido na Universidade Federal da Amazónia, cidade de Manaus, no Brasil.

Quanto ao 17.º encontro, que está a decorrer sob o lema “Ambiente e desenvolvimento sustentável: Perspetivas para o pós-2015”, João Nildo Viana adiantou que vai servir para a apresentação de propostas concretas de formação e políticas públicas para solução dos problemas ambientais que afetam todos os países.

A rede também pretende criar institutos e realizar trabalhos na área científica, mas o grande projeto é a criação em Cabo Verde de um doutoramento em Gestão e Políticas Ambientais, considerado por João Viana como “inovador” e um modelo a ser seguido por outras instituições.

A reitora da Uni-CV, Judite Nascimento, salientou também a importância do doutoramento, dizendo que além de otimizar os recursos, irá permitir aos estudantes produzir livros e teses que serão “fontes de referências” para a tomada de decisões públicas.

O 17.º encontro da REALP termina na sexta-feira e até lá cerca de 200 investigadores e cientistas de diferentes países e universidades e organizações vão refletir sobre os novos objetivos para o contexto ambiental atual.

Durante o evento serão discutidos temas como sustentabilidade de ambientes costeiros, água, energia, mudanças climáticas, gestão e conservação de recursos naturais, desenvolvimento sustentável, valor patrimonial e arqueológico dos recursos naturais, etc.

Rosa dos Ventos, junto ao Padrão dos Descobrimentos em Lisboa, 22 de abril de 2015. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

RYPE // VM – Lusa/Fim
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