São Paulo, 10 nov 2022 (Lusa) – O realizador de cinema, professor e escritor Ruy Guerra, nascido em Moçambique e radicado no Brasil, será homenageado na 14.ª edição do FestLip, o Festival Internacional das Artes da Língua Portuguesa.

O evento, totalmente gratuito, retorna ao formato presencial após duas edições remotas e reúne uma vasta programação com artistas do Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor Leste.

Esta edição elenca teatro, cinema, música, gastronomia e debates e se espalha por diversos espaços da cidade brasileira do Rio de Janeiro como o Teatro Firjan SESI Rio, o Real Gabinete Português de Leitura e o restaurante Rancho Português.

Num comunicado, os promotores do festival informam que a programação também terá um olhar especial para o bicentenário da Independência do Brasil, em relação a Portugal, numa programação que volta a expandir os horizontes da língua portuguesa que soma quatro continentes, e por isto, o homenageado será o artista veterano e multidisciplinar Ruy Guerra.

Nascido em Moçambique e radicado no Brasil há mais de 60 anos, o cineasta de 91 anos também atua como dramaturgo, poeta e professor, além de ter mais de 100 letras de músicas compostas para ‘gigantes’ da música brasileira como Milton Nascimento, Chico Buarque, Edu Lobo, Carlos Lyra e Francis Hime.

Na música e no cinema, Guerra é referência para diversas gerações, tendo sido um dos expoentes do Cinema Novo, um movimento no qual deixou sua marca imortalizada em clássicos como “Os Cafajestes” (1962) e “Os Fuzis” (1963) — filme vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

“Eu me sinto feliz e emocionado que o festival me tenha julgado merecedor de uma homenagem como essa. Sempre fui um apaixonado pela língua portuguesa”, afirmou Ruy Guerra, citado no comunicado do evento.

Tânia Pires, curadora e diretora do FestLip, destacou que, após dois anos realizando o festival ‘online’, a edição presencial de 2022 lhe evoca uma sensação de estreia e de reencontro.

“Um sabor inédito de compreendermos, através da arte, que sobrevivemos e estamos de volta! Somos todos crioulos e Ruy Guerra personifica a essência do festival”, acrescentou.

Ruy Guerra participará, no dia 13, no FestLipEncontros, num debate sobre “A Crioulização da Cultura da Língua Portuguesa”, que contará com a presença também de Horácio Guiamba, ator de cinema e teatro em Moçambique, e Cristina Luz, doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Outro convidado destacado pelos organizadores é do encenador português José Pompeu, do Trigo Limpo Teatro Acert, que participará num debate sobre a sonoridade do texto “Ela”, uma obra da dramaturga Márcia Zanelatto que teve diferentes montagens no Brasil e em Portugal, com adaptações distintas acerca da língua para cada país.

O teatro também estará presente em direto de Portugal com o espetáculo “Provavelmente Saramago”, com transmissão ‘online’ para o Brasil e debate com o ator Vinícius Piedade e com o diretor Paulo Campos dos Reis.

 A exibição da obra faz parte das comemorações oficiais do Centenário do Nascimento de José Saramago, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998, promovidas pela Fundação Saramago.

O festival tem apoio institucional da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, da UFRJ, da Embaixada da República de Angola no Brasil e conta com o apoio cultural da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan/SESI).

A programação da 14.ª edição FestLip acontece entre os dias 10 a 14 de novembro.

CYR // MAG-Lusa/Fim

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