Díli, 22 jun (Lusa) – Um quadro com o rosto do líder timorense Xanana Gusmão, do ilustrador português Nuno Costa, foi leiloado por 100 mil dólares por um empresário indonésio, no âmbito de uma angariação para a Sala de Leitura Xanana Gusmão em Díli.

O quadro foi o elemento central do leilão que o próprio ex-Presidente timorense Xanana Gusmão e o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri realizaram na noite de terça-feira em Díli para angariar fundos para a biblioteca e centro cultural.

Coincidindo com o 70.º aniversário de Xanana Gusmão e o 16.º da Sala de Leitura, no leilão de angariação de fundos, em que foram recolhidos mais de 180 mil dólares (159, 7 mil euros) foi ainda inaugurada uma exposição de fotos tiradas pelo próprio líder timorense, como explicou à Lusa Gaspar Freitas, coordenador da Sala de Leitura.

As fotos, de 2000 e 2001, marcaram um período em que Xanana Gusmão se tornou um quase ‘paparazzi’ em Timor-Leste, aparecendo em praticamente todo o lado com uma máquina fotográfica.

As imagens, que retratam rostos de gente anónima timorense e algumas das paisagens do país, foram tiradas, como explicou o próprio autor, “por uma necessidade interior de perceber a natureza e o íntimo das pessoas, num devido tempo e lugar”.

A Sala de Leitura Xanana Gusmão foi inaugurada a 27 de junho de 2000 como a primeira biblioteca de Díli desde a violência que marcou o período pós-referendo de 1999, com um espólio de quase sete mil livros, dezenas de medalhas, condecorações, troféus e fotografias.

Foi instalada no edifício do que era, durante o tempo da administração portuguesa, o antigo consulado indonésio em Díli, na rua Belarmino Lobo, no bairro de Lecidere.

O edifício, de construção portuguesa, foi totalmente recuperado com apoios do Governo da Noruega, de um sindicato australiano e de várias personalidades e instituições, depois de também ter sido parcialmente destruído durante a onda de violência de setembro de 1999.

A recuperação e apetrechamento do interior estiveram inteiramente nas mãos de dezenas de voluntários, a maioria estudantes, que construíram as prateleiras das quatro salas onde agora está exposto o espólio da instituição.

Hoje o espólio cresceu, há mais conteúdo na biblioteca – que tem computadores e acesso à internet – e no jardim está o jipe em que Xanana Gusmão viajava, quando em 2006 a viatura foi baleada.

Nas várias salas estão hoje exposições diferentes, incluindo uma mostra do ilustrador português Nuno Costa e outra com pinturas sobre Xanana Gusmão feitas por várias pessoas, mais ou menos amadoras.

Um boneco de cera de Xanana Gusmão, sentado, marca uma das salas e permite aos visitantes tirar fotografias com o líder.

O objetivo principal da Sala de Leitura Xanana era reunir uma coleção “histórica” de livros, fotografias, vídeos e documentos relacionados com o passado de Timor-Leste “e a sua luta para se tornar um estado independente”.

A coleção nasceu da coleção privada de Xanana Gusmão, que ficou conhecido no mundo como o rosto da luta da independência de Timor-Leste, e tem sido alargada com várias doações.

ASP // VM – Lusa/Fim
Partilhar