Lisboa, 02 mar (Lusa) – Um conjunto de propostas para a reestruturação das estratégias de cooperação no âmbito da CPLP foi hoje apresentado, no sentido de uma maior harmonização e integração destas ações, informou o diretor da Cooperação do Secretariado Executivo da instituição.

“Com base na reflexão conjunta com todos os pontos focais de cooperação, foi possível trazer um conjunto de propostas que vão reestruturar a forma como a CPLP [Comunidade de Países de Língua Portuguesa] vê o seu ‘dossier’ de cooperação”, disse Manuel Lapão aos jornalistas.

Este responsável falava no final da XXXVI Reunião Ordinária dos Pontos Focais de Cooperação da CPLP, que se realizou entre quinta-feira e hoje, na sua sede, em Lisboa.

“A reunião dos pontos focais de cooperação foi precedida de um seminário que passou em revista as opções estratégicas de cooperação [da CPLP] para os próximos anos. Daí, resultou um sentimento muito significativo [de] que este pilar, efetivamente, ajuda a construção da nossa comunidade”, sublinhou o responsável da CPLP.

Manuel Lapão afirmou não ser possível adiantar mais detalhes, pois este novo “enquadramento estratégico necessita ainda de ser aprovado pelos órgãos superiores da comunidade”, sublinhando, no entanto, que este “vai permitir uma maior integração e harmonização de tudo o que é a agenda global da CPLP”.

Esta estruturação vai olhar “para o ecossistema da cooperação de uma forma integrada, ao fim e ao cabo, sendo uma resposta que a CPLP pretende dar à agenda 2030 [da ONU] para o desenvolvimento sustentável, em que diferentes temas têm uma ligação óbvia entre si”.

“Este exercício de reflexão foi presidido por este objetivo mais global: quer a dinâmica política, quer a dinâmica da língua, bem como a dinâmica da cooperação têm de estar alinhados em termos estratégicos. O que foi proposto, e está ainda em reflexão e sem poder adiantar muito, será um resultado muito positivo”, sublinhou.

“A apreciação global que os pontos focais fazem do futuro da cooperação é que, em função desta evolução estratégica, muita coisa poderá mudar”, afirmou.

Segundo Lapão, a CPLP estrutura-se em áreas ministeriais setoriais e muitas decisões têm resultado destes consensos, com planos de ação.

Porém, “estes planos de ação, muitas vezes, não dialogam e não estão integrados entre si e este tal conceito estratégico vai fazer com que esta integração se processe e daí derive uma atuação mais concentrada do nosso pilar, fortalecendo a comunidade como um todo”, adiantou.

De acordo com Manuel Lapão, nesta reunião foi analisado o quadro de execução das atividades que constam do plano indicativo da cooperação da CPLP e, ao contrário daquilo que vem sendo hábito, constatou-se um decréscimo na execução financeira dos projetos.

“O que significa que alguns deles estão em processo de reavaliação das estratégias que foram implementadas e outros o financiamento foi identificado há relativamente pouco tempo e ainda não arrancaram. Não significa exatamente uma execução técnica baixa. Mas a execução financeira, de facto, não é aquela que podíamos reportar noutros contextos”, indicou Lapão.

Para este responsável, “isso não deixa de ser relativamente preocupante, porque os recursos da contribuição, sendo escassos, são valorizados se tiverem movimentação e aplicação nos projetos e neste momento há esta preocupação, que foi realçada”, disse.

De acordo com Manuel Lapão, novas iniciativas e novas fases de ações já em andamento foram aprovadas, como a quarta fase do projeto “Meninos de Rua: Inclusão e Inserção”, a terceira fase do portal “Conexão Lusófona”, a Ação de Formação em Direito Internacional Humanitário e o V Congresso de Educação Ambiental, entre outras.

CSR // JLG – Lusa/fim
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