Orçado em 282 mil euros e financiado na sua quase totalidade pela UE, o projeto CRIE é o primeiro dos seis definidos em 2013 a ser implementado em Cabo Verde, e pretende desenvolver, através da Cultura, Turismo e Economia Criativa uma estratégia integrada de colaboração entre atores não estatais, autoridades locais, artesãos, designers e agentes culturais.

O projeto “Criando, Inovando e Empregando – Cultura, Artesanato e Turismo” foi apresentado na Cidade da Praia pela organização não-governamental cabo-verdiana Atelier Mar e vai abranger todos os atores nas cidades da Praia e do Mindelo (São Vicente) e em toda a ilha de Santo Antão.

Em declarações aos jornalistas, o representante da UE em Cabo Verde, José Manuel Pinto Teixeira, lembrou que o projeto é um dos seis aprovado por Bruxelas em 2013, no montante global de quase 1, 5 milhões de euros, salientando que os restantes cinco irão, assim que forem feitos os respetivos concursos, abranger as restantes ilhas.

“Dado o grande interesse que esta área da cultura e das economias criativas tiveram da parte dos proponentes cabo-verdianos, vamos continuar a apostar neste setor, que é muito importante para Cabo Verde, bem como para a empregabilidade na área das economias criativas e da cultura”, explicou o diplomata português, adiantando que, para 2014, há mais verbas destinadas à área da cultura.

Segundo Pinto Teixeira, os critérios de avaliação dos proponentes passaram pela “credibilidade e experiência” das organizações e associações locais, tendo como pano de fundo assegurar a boa gestão

Por seu lado, o ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, explicou que o CRIE vai permitir trabalhar sobretudo na qualidade dos produtos com marca Cabo Verde, que contarão com a respetiva certificação e identificação dos autores.

“O projeto vai permitir fechar a cadeia, desde a criação e a conceção, passando pela distribuição, empreendedorismo e criação de emprego. Isto vai fazer com que as pessoas que trabalham com a cultura e com o artesanato vejam a sua própria criação transacionável, um produto de mercado, e a pessoa pode viver do que faz”, sublinhou.

“E esse é o cerne da nossa política cultural para as economias criativas: agrega-se valor, mas tem de ser feliz com o que se agrega. Todos estes projetos vão criar condições de distribuição, para que os artesãos, com a sua qualidade, possam colocar o seu produto no mercado”, acrescentou.

Mário Lúcio, também cantor, compositor e escritor, adiantou que os produtos poderão, depois, entrar na já anunciada Rede Nacional de Artesanato, que irá criar quiosques em todos os portos, aeroportos e hotéis de Cabo Verde, bem como nas praças centrais dos 22 municípios do arquipélago, projeto esperar que tal aconteça já em 2014.

“Já lançámos a ideia à UE, que tem sido um grande parceiro da Cultura desde 2013. Vamos agora tentar encontrar meios, porque o projeto está pronto há dois ano e seria importante que acontecesse este ano para responder a todas essas iniciativas culturais da sociedade civil”, adiantou.

Em 2013, além do projeto CRIE, a UE aprovou vários outros ligados à área da cultura, como os ligados à recuperação da produção de artesanato pelas mulheres, à história e património, gestão cultural e promoção da museologia.

JSD // APN – Lusa/Fim

Foto: Atores da companhia de teatro Cia Mundo Improviso de Portugal apresentam o espetáculo “Improvisos” durante o Festival de Teatro de Língua Portuguesa (Festlip). Rio de Janeiro, Brasil, 20 de julho de 2011. SARA FONTES/LUSA

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