Oitenta colaboradores da Autoridade Municipal de Díli (AMD) iniciaram, em outubro de 2022, um curso de capacitação em língua portuguesa no Centro de Formação Municipal (CFM), criado ao abrigo do projeto “Reforço da governação urbana, inclusão social e promoção do empreendedorismo em Díli, Timor-Leste”, numa colaboração entre a UCCLA e as cidades de Díli e Lisboa, com o financiamento da União Europeia.

A capacitação de colaboradores da AMD é uma das áreas chave deste projeto, sob coordenação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que incluirá intercâmbios, seminários e ateliers abrangendo várias áreas de intervenção municipal, com a possibilidade de alargamento a colaboradores de outras autoridades e administrações municipais de Timor-Leste, em particular de cidades membro da UCCLA (Baucau, Ermera, Oecussi-Ambeno e Viqueque).

Inauguração do Centro de Formação Municipal, pela presidente da Autoridade Municipal de Díli e pelo ministro da tutela.

No universo de 551 colaboradores da AMD foi realizado um primeiro diagnóstico sociolinguístico, ficando ainda por avaliar 291 colaboradores para uma fase seguinte. Para a seleção dos colaboradores participantes, foram realizados 260 testes de diagnóstico. Com base nestes testes, os colaboradores foram divididos por níveis de conhecimento de acordo com o “Quadro Europeu Comum de Referência” (gráfico 1).

Grafico - Niveis de conhecimento da LP

Grafico - Sexo

Os testes de diagnóstico realizados permitiram, também, obter um panorama referente ao sexo dos candidatos.

Frafico - Faixa etaria

Os testes de diagnóstico realizados permitiram, também, obter um panorama referente à faixa etária dos candidatos.

 

Dos 260 colaboradores avaliados, iniciaram o primeiro curso, dividido por 4 turmas, 80 formandos.

O segundo ciclo de formação decorrerá de fevereiro a abril de 2023, nos níveis A2 e B1.

Neste momento, a formação tem uma carga de 10 horas letivas semanais. Com a possibilidade de alargar o número de turmas de nível B1, a carga horária será aumentada, uma vez que as formações de nível B1 terão, no mínimo, 160 horas para alcançar a certificação oficial equiparada ao espaço europeu e da lusofonia.

Prevê-se que a partir de maio tenha lugar o primeiro curso em informática, inserido nas capacitações a abranger progressivamente das áreas de liderança e gestão de recursos humanos, atendimento e participação dos munícipes, planeamento urbano e espaço público.

A presidente da AMD, Guilhermina Filomena Saldanha, ciente da necessidade de um bom domínio da língua portuguesa por parte dos seus colaboradores, aconselhou todos a inscreverem-se nos cursos promovidos pelo projeto em parceria tripartida.

A língua portuguesa não é dominada por toda a população de Timor-Leste e, de acordo com as últimas estatísticas, somente cerca de 37% da população domina, em níveis diferentes, o português.

Refira-se que o artigo 13.º da Constituição da República de Timor-Leste confere à língua portuguesa, a par do tétum, o estatuto de língua oficial, apresentando-se como um vetor fundamental para o desenvolvimento social e económico do país e para o reforço das competências técnicas dos timorenses e para a sua interação com os outros países da CPLP/Lusofonia.

 

Uniao Europeia_Fachada da AML e logo do projeto

Financiador do projeto, fachada da AMD e logo do projeto

 

O que é o “Quadro Europeu Comum de Referência”?

Gráfico QECR

QECR – os seis níveis de conhecimento

O “Quadro Europeu Comum de Referência” (QECR) para as Línguas foi concebido pelo Conselho da Europa para assegurar unidade em matéria educativa e cultural entre os seus Estados-Membros no que diz respeito à aprendizagem de línguas estrangeiras. O QECR foi oficialmente publicado em 2001 e disponibiliza um quadro geral que indica o que é necessário que os estudantes de línguas aprendam, para poderem utilizar eficazmente uma língua estrangeira garantindo a certificação oficial do seu nível de conhecimento.

 

 

 

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