Díli, 23 fev (Lusa) – Timor-Leste tem a partir de hoje o seu primeiro serviço de televisão por assinatura, , um projeto que inclui dois canais de conteúdos próprios, um noticioso e outro desportivo, num pacote que arrancará com 70 canais internacionais.

O projeto, do empresário timorense Nilton Gusmão, representa um investimento de cerca de quatro milhões de dólares, entre equipamento e compra de direitos de transmissões dos vários canais.

Em declarações à Lusa, o empresário explicou que o serviço pretende colmatar uma carência que existia no país, combater a ilegalidade na distribuição destes serviços e procurar maior soberania do país neste setor.

“Somos um país independente, mas depois de 16 anos só temos canais internacionais via operadores não residentes em Timor-Leste. Podemos dizer até operadores ilegais”, afirmou.

“Esperamos que isto também ajude o Governo a regularizar este setor. Falamos do risco do país, mas permitirmos que as atividades ilegais continuem a existir o que coloca o nosso país no mapa do risco”, afirmou.

O empresário explicou que foram assinados acordos com os canais internacionais para garantir que o serviço está “totalmente legal”.

Nilton Gusmão explicou à Lusa que já foi assinado um acordo com a RTP para a retransmissão do canal público português no serviço da ETO, e que estão a ser negociados acordos com a SIC e a TVI.

O objetivo, explicou, é também conseguir programação com legendas em português para ajudar à difusão dessa língua em Timor-Leste.

“Gostaríamos de ter muito mais canais em português, ou com legendas em português. Porque consideramos que isso é importante e respeita a constituição. Mas tivemos que reconhecer as dificuldades imediatas para já de conseguir isso nesta região do planeta”, disse.

O empresário timorense apelou aos países lusófonos para que apoiem o projeto, facilitando o acesso a canais em língua portuguesa ou a programação que pelo menos seja legendada em português.

Para já, a maioria dos canais do serviço será em língua inglesa, com outros em indonésio, referiu.

Nilton Gusmão, que recentemente também apadrinhou a criação da Liga Amadora de futebol do país – há vários anos que o país não tinha qualquer liga oficial de futebol – explicou que um dos canais dedicará especial atenção ao desporto em Timor-Leste, com retransmissões dos jogos em direto.

Um outro, também de produção própria, dedicar-se-á em particular à informação.

Até agora Timor-Leste contava com serviços de televisão por assinatura ou oriundos de fora do país, como alguns australianos ou indonésios por satélite ou então serviços semi-ilegais que ‘piratiavam’ sinais de vários canais para os redistribuir a clientes por cabo.

Foto SAPO

Foto SAPO

Oficialmente, Timor-Leste tem o canal oficial da televisão pública timorense (TVTL), o canal do jornal Suara Timor Lorosae e desde o ano passado o projeto Televisão Educação, com novos projetos de televisões generalistas gratuitas a serem preparados para lançamento em breve.

Nilton Gusmão é um dos maiores empresários de Timor-Leste, com investimentos em vários setores, incluindo a produção de água engarrafada e a distribuição petrolífera, entre outra.

Em alguns dos últimos anos o grupo que dirige tem obtido vários contratos anuais para fornecimento do combustível usado pelo Governo timorense para as centrais elétricas do país, avaliados em dezenas de milhões de dólares.

ASP // JPS – Lusa/Fim

 

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