4 March 2021
O Programa de Qualificação de Docente e Ensino de Língua Portuguesa (PQLP), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – órgão do Ministério da Educação do Brasil –, enviou professores brasileiros para Timor-Leste. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é a instituição responsável pelo projeto em que brasileiros contribuem com a formação de professores no país.

Professores brasileiros de Língua Portuguesa em Timor-Leste

País do Sudeste Asiático, o Timor-Leste foi colônia portuguesa por 400 anos, dominado pela Indonésia por duas décadas e, enfim, se tornou independente em 2002. Em 2000, o português foi adotado como Língua oficial. “Com a devastação deixada pela invasão, qualquer pessoa que soubesse um pouco de português passou a ensinar”, explica a professora Suzani Cassiani, uma das coordenadoras do programa.

Suzani está envolvida com o projeto há seis anos e já visitou o Timor-Leste nove vezes. Ela conta que o programa funciona em parceria com a Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), a única instituição pública dedicada ao ensino superior no país. Os docentes enviados realizam trabalhos de qualificação de professores, Ensino de Português em ministérios, orientação de trabalhos e grupos de pesquisa, e até atuam na realização de programas educativos para a televisão.

Bióloga de formação e doutora em Educação, a professora do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSC afirma que é muito importante orientar os docentes brasileiros para entender a outra cultura. “Não é uma missão colonialista. Não se pode ir achando que vai mudar um povo”, ressalta.

São grandes as diferenças culturais. Suzani afirma que, às vezes, pode ser difícil compreender tradições como o barlaque, dote oferecido por homens à família da noiva para casar. “Em uma primeira impressão, pode parecer que é uma ‘compra’ da mulher. Porém, mais a fundo, podemos perceber que é uma questão cultural, que originalmente é de respeito e valorização”, explica.

–– Parceria produtiva entre brasileiros e timorenses ––
Suzani Cassiani afirma que a convivência entre brasileiros e timorenses é muito boa. “Temos uma teoria de que os brasileiros conseguem compreender as dificuldades dos professores locais, pois lidamos com situações parecidas. Condições ruins e salários baixos, por exemplo”, explica a professora.

Ela conta que os timorenses chamam os brasileiros de “irmãos” e os portugueses de “pais”. “Acabamos criando uma relação de afetividade. São pessoas muito bacanas. Passa da questão de solidariedade e gratidão; vira amizade”, diz.

A parceria entre a UFSC e a UNTL deu tão certo que eles passaram a realizar também outros projetos em conjunto. Este ano, a universidade catarinense recebeu 15 alunos das áreas de graduação e pós-graduação do Timor-Leste para um programa de intercâmbio no sul do Brasil, por meio de seu Programa de Estudantes-Convênio de Graduação.

–– O Programa de Qualificação para o Ensino de Língua Portuguesa ––
O PQLP, Programa de Qualificação de Docente e Ensino de Língua Portuguesa, oferecido pela Capes, existe desde 2008 e enviou os primeiros professores em 2009.

O último edital esteve com as inscrições abertas até 17 de dezembro, para ficar de seis a 18 meses no Timor-Leste. São 50 bolsas, 44 de estágio docente, com auxílio mensal de 2.100 euros, e seis vagas de articulador pedagógico, com bolsa de 2.300 euros mensais.Ler o artigo completo.

 

Nas fotos:

– Os docentes que participam do Programa de Qualificação de Docente e Ensino de Língua

Portuguesa da Capes são chamados de cooperantes – na foto, o grupo formado em 2012.

– Professores do Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação, do Ministério da Educação do Timor-Leste.

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