Hong Kong, 21 jan 2023 (Lusa) – A consultora Fitch Solutions prevê que a produção de petróleo em Angola caia cerca de 250 mil barris diários até 2031, antecipando uma queda de 0,9% já este ano para o total da região.

“Angola deverá registar declínios significativos na produção de petróleo durante o nosso período de previsões devido à falta de grandes projetos a entrar em funcionamento”, escrevem os analistas da Fitch Solutions, uma consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings.

Numa análise à evolução do petróleo na África subsaariana, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os consultores escrevem que “o crescimento negativo em Angola, o segundo maior produtor da região, vai contribuir para a queda da produção regional, com os campos esgotados e as taxas naturais de declínio a fazerem com que Angola abrande o crescimento para 2,7% este ano, depois de um crescimento temporário de 4,2% em 2022”, chegando ao princípio da próxima década com menos 250 mil barris do que produz atualmente.

A Fitch Solutions não apresenta os dados específicos para cada país, mostrando apenas gráficos que permitem concluir que a produção de petróleo em Angola estará cerca de 250 mil barris diários abaixo da produção atual – os números enviados por Luanda à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) apontam para uma produção de 1,1 milhões de barris diários, em média, no ano passado.

As quedas de produção na Nigéria e Angola farão com que “a produção de crude, gás natural liquefeito e outros líquidos na região deva cair 0,9% este ano, principalmente devido a um forte declínio da produção na Nigéria, o maior produtor de petróleo na África subsaariana, que foi significativamente afetado pela queda nos investimentos e falta de manutenção nos principais poços”.

Assim, a queda da produção na Nigéria deverá ser de 4,6% este ano, influenciando o conjunto da produção da região, um panorama que não deverá mudar nos próximos anos.

“A longo prazo, a nossa previsão de produção petrolífera regional aponta para que os países se continuem a debater com dificuldades para regressar aos níveis de produção antes da pandemia, devido ao declínio natural de alguns dos maiores poços e à falta de investimento dos últimos anos”, escrevem os analistas, salientando que novos investimentos são críticos para a região.

A entrada em funcionamento de novos poços petrolíferos em novos mercados da região vai manter a evolução da produção em terreno positivo nos próximos anos, atingindo um máximo de 4,54 milhões de barris diários em 2029, antes de cair para 4,13 milhões em 2032, escreve a Fitch Solutions, notando que “a maior parte do crescimento vai centrar-se à volta das novas descobertas no Uganda, Quénia e Senegal.

“Sem estes novos mercados, a produção petrolífera na região iria cair, no total, com os poços em maturação a originarem uma descida da produção, com o ambiente fiscal e a redução de potencial de exploração a baixarem o investimento”, escrevem.

Para a Guiné Equatorial, a Fitch Solutions estima que a produção até 2031 fique cerca de 20 mil barris de petróleo abaixo da atual, que no ano passado foi de 81 mil barris por dia, descendo face aos 93 mil barris que as autoridades disseram à OPEP ter produzido.

A análise da Fitch Solutions à produção de crude e gás na África subsaariana inclui Angola, Camarões, Chade, Congo, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Etiópia, Gabão, Gana, Quénia, Mauritânia, Moçambique, Níger, Nigéria, Senegal, África do Sul, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda.

MBA // JH – Lusa/Fim

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