Bissau, 13 out (Lusa) – A procura pelas aulas de português no Centro Cultural Brasileiro, em Bissau, “está a crescer” e no novo ano letivo estão inscritos quase mil alunos nos diferentes graus de ensino, disse à agência Lusa André Oliveira, diretor da instituição.

A maioria dos guineenses que procura as aulas é jovem e tem “alguma insegurança em falar português”, pelo que procura o Centro para “tentar completar” lacunas deixadas pelo ensino regular, explicou André Oliveira.

Outros têm a expetativa de que, dominando o português, terão mais facilidade em ingressar no mercado de trabalho do que falando apenas crioulo.

Com a procura em alta e sendo todas as atividades do centro gratuitas, as provas para inscrição passaram a ser limitadas a 600 candidatos para um total de 200 vagas por ano letivo – que ficam sempre preenchidas.

“Chegámos a ter 1.500 candidatos”, recordou o diretor, referindo que este número dificultava a tarefa de correção dos testes para ingresso, por exemplo.

O Centro Cultural Brasileiro subiu ainda a fasquia e há maior exigência ao nível da assiduidade para travar as desistências, eventualmente facilitadas pelo facto de o ensino ser gratuito.

Após os testes de ingresso, a maioria dos alunos é conduzida para o nível básico, porque apesar de ser a língua oficial da Guiné-Bissau, as bases do português ainda precisam de ser consolidadas, referiu André Oliveira.

O curso tem outros três níveis, que já incluem temas como literatura.

O Centro Cultural Brasileiro abriu em 1986 e em 2008 reforçou a aposta nas aulas de português, com a instalação de novas salas de aula.

Hoje conta com sete professores (seis guineenses e uma brasileira) e um diretor que já percorreu vários palcos da lusofonia e conhece as diferentes anatomias do português.

André Oliveira, 30 anos, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, onde viveu até aos 23 anos, altura em que se mudou para Portugal para se licenciar em Geografia.

O trabalho com ações de voluntariado levou-o até São Tomé e Príncipe, depois exerceu outras atividades profissionais em Angola e Cabo Verde até se radicar em Bissau.

De país para país, “cada um preserva o seu regionalismo” ao nível da língua, mas “todos convivem” com a mesma base da língua portuguesa, concluiu.

LFO // VM – Lusa/Fim
Bajudas (raparigas solteiras) na Ilha de Canhabaque no Arquipélago dos Bijagós. As características do arquipelago com cerca de 90 ilhas, a maior parte desertas, tornam-no no mais apeticível destino das drogas provenientes da America do Sul, sabado 10 de fevereiro de 2007.  JORGE NETO/LUSA

Bajudas (raparigas solteiras) na Ilha de Canhabaque no Arquipélago dos Bijagós. As características do arquipelago com cerca de 90 ilhas, a maior parte desertas, tornam-no no mais apeticível destino das drogas provenientes da America do Sul, sabado 10 de fevereiro de 2007. JORGE NETO/LUSA

 

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