28 February 2021
O ex-primeiro-ministro angolano e ex-secretário-executivo da CPLP, Marcolino Moco. ANDRÉ KOSTERS / LUSA

Primeiro secretário executivo defende mais ações culturais e históricas

Luanda, 15 jul (Lusa) – O primeiro secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Marcolino Moco, defendeu hoje que as ações da organização devem estruturar-se no domínio “cultural, espiritual e histórico”, argumentando que as relações económicas têm-se mostrado “irrealistas”.

“Tem-se perdido muito tempo com a ideia da economia, que se tem mostrado irrealista devido à dispersão territorial dos países da comunidade e também por causa das dificuldades económicas que existem em todos os países”, disse, em declarações à Lusa a propósito da XII Cimeira da CPLP, que se realiza em Santa Maria, ilha cabo-verdiana do Sal, na terça e na quarta-feira.

Para o ex-primeiro ministro da República de Angola, a CPLP “deve se estruturar-se no pilar espiritual, cultural e histórico” como forma de haver “maior preocupação com o desenvolvimento da comunicação social, ou seja, criação mesmo de instituições de comunicação social abrangente ao espaço CPLP”.

O ex-secretário executivo apontou ainda a necessidade de, no domínio da Educação, haver cadeiras curriculares comuns como a história e instituições promotoras de estudos e ensino sobre os aspetos dos países que compõem o bloco lusófono.

“Haveria instituições promotoras da educação, como há a nível da francofonia, como instituições de apoio para bolsas de estudo de jovens dos nove países, e depois seria possível saber sentir a CPLP junto da cidadania”, sustentou.

Da cimeira do Sal, Marcolino Moco disse esperar “mais pragmatismo e menos realizações formais” na comunidade.

A realização da conferência de chefes de Estado e de Governo coincide com o aniversário da CPLP, que a 17 de julho cumpre 22 anos de existência.

Apesar dos aspetos que quer ver melhorados no seio da CPLP, o atual administrador não executivo da petrolífera angolana Sonangol faz um balanço positivo da organização, passados 22 anos, alertando para “incidentes desagradáveis” neste percurso que “deveriam ter sido evitados”.

“Como por exemplo a forma como a Guiné Equatorial entrou contrariando um certo consenso natural, ainda a forma como a maioria dos países africanos quebrou a regra de rotatividade do secretariado executivo negando a Portugal o direito que é consagrado nos estatutos”, exemplificou.

“Mas, apesar de tudo isso, só pelo facto de a CPLP continuar a existir o balanço é positivo”, considerou, enaltecendo o facto de as cimeiras se realizarem regularmente.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

DYAS // VM – Lusa/Fim

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