Díli, 20 jan 2023 (Lusa) – Responsáveis timorenses saudaram hoje a iniciativa de um grupo de jovens jornalistas em lançar o primeiro órgão de comunicação social em língua portuguesa no país, o Diligente, apresentado hoje.

Intervindo na apresentação do projeto, Francisco Belo, presidente interino do Conselho de Imprensa, saudou o novo projeto que disse reforçar o espaço dos ‘media’ em Timor-Leste, sublinhando o facto de ser o primeiro órgão de comunicação social exclusivamente em língua portuguesa no país.

“Temos muitos ‘media’ em tétum, mas o Diligente será especificamente em língua portuguesa e isso é importante para o país porque o português é uma das nossas línguas oficiais. Saúdo o esforço de ajudar a promover a língua portuguesa na sociedade”, afirmou.

Belo apelou aos jornalistas para que trabalhem para garantir a independência editorial, que considerou “crucial” e desejou “coragem para resistirem à tentativa de influência do poder económico e político”, apesar dos desafios do setor.

“Esperemos que seja consistente com o compromisso de ser um ‘media’ investigativo e alternativo, consolidando o direito da população à informação”, afirmou.

Virgílio Guterres, provedor de Direitos Humanos e Justiça e ex-presidente do Conselho de Imprensa, saudou a “coragem de ser diferente” do novo projeto, uma nova aventura cujo entusiasmo comparou com as aventuras de outros jovens, incluindo ele próprio, de iniciar projetos informativos durante a ocupação indonésia.

“Espero que esta nova aventura crie um veículo de liberdade das gentes de Díli, mas que seja também diligente no seu trabalho”, afirmou.

“Para fazer um trabalho investigativo aqui, coragem não basta. É preciso muita paciência, para aturar os ‘bullies’, para enfrentar comentários vindos de instituições muito importantes, principalmente quando tocamos assuntos muito delicados que envolvem minorias, a religião, que envolvem casos de abusos sexuais”, afirmou.

Guterres saudou o uso da língua portuguesa, esperando que o Diligente seja um “instrumento de defesa e promoção dos direitos do cidadão e um veículo de liberdade para os cidadãos”, para podem pensar de forma “livre e critica”.

“Aqui há muitos que falam da liberdade de opinião, e é ótimo ter opiniões, mas o drama é o que fazer com isso. Aqui há muita gente que fala muito, mas diz pouco ou nada”, afirmou.

O projeto reúne sete jovens jornalistas timorenses que completaram a sua formação no Consultório de Jornalistas, um projeto apoiado pelo Instituto Camões de fortalecimento das capacidades em língua portuguesa no setor dos ‘media’.

Merício Akara, secretário de Estado da Comunicação Social, saudou o projeto, afirmando que acaba por ser um produto da cooperação entre os Governos de Timor-Leste e de Portugal, no quadro do projeto do Consultório de Jornalistas.

Destacando que o setor da comunicação social em Timor-Leste continua muito dinâmico, sinal da força da democracia do país, Akara sublinhou o facto de ser em língua portuguesa.

“Saúdo estes jovens jornalistas timorenses que tiveram a ousadia de criar um jornal online só com notícias em português, demonstrativo de que o português enquanto língua oficial de Timor-Leste, mas língua não materna, está a crescer, a consolidar-se, nomeadamente no ramo da comunicação social”, disse.

“Escrever e ler em PT [português] é uma forma de todos nós timorenses adquirirmos proficiência no domínio da língua portuguesa. É com orgulho que verifico o crescimento de órgãos de comunicação social no território como expressão do direito constitucional fundamental”, disse.

Também o ministro de Assuntos Parlamentares e Comunicação Social, Francisco Jerónimo, notou que o Diligente representa mais um passo no reforço democrático e na liberdade de imprensa no país.

“A imprensa livre é um dos pilares da democracia, significa o reforço do nosso sistema democrático. Que o Diligente saiba ser diferente e inovador para que possa contribuir para a desejada pluralidade, numa sociedade cada vez mais complexa e com tantas sensibilidades distintas em convívio e confronto”, afirmou.

Do ponto de vista do Governo, disse, o Diligente é mais uma oportunidade para responsabilizar e fiscalizar os agentes públicos, que “não podem descansar à sombra do cargo para o qual foram nomeados”.

“Os órgãos de comunicação social têm um papel mediador entre eleitos e eleitores, entre ricos e pobres, entre os com sucesso e os marginalizados. Têm esse poder unificador da sociedade, que nos mantém a todos unidos pelo desígnio nacional”, afirmou.

ASP // CAD – Lusa/Fim

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