O Elos Internacional – Movimento da Comunidade Lusíada, que tem sede em Santos (Brasil) e células (clubes) fundadas junto de comunidades lusófonas, realizou a sua XXIX Convenção Internacional na cidade algarvia de Olhão, de 3 a 6 do corrente, seguindo-se, na Universidade do Algarve, em Gambelas (Faro), no dia 11, a conferência “Língua Portuguesa, Sociedade Civil e CPLP”, a primeira grande actividade da recém-constituída Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com mais de 200 participantes ligados ao espaço lusófono, tendo a presença de Macau sido assegurada, uma vez mais, pelo Instituto Internacional de Macau (IIM).

Elos em movimento

“Elismo: modernização e posicionamento no mundo contemporâneo” foi o tema desta convenção elista que é levada a efeito de dois em dois anos, tendo as duas anteriores sido organizadas em Lisboa e São Bernardo do Campo (São Paulo, Brasil). Cerca de 100 representantes dos Elos Clubes, com o de Olhão como anfitrião, debateram ao longo de dois dias e meio os principais assuntos internos do movimento, promoveram acções de convívio e elegeram a sua nova directoria para 2013 – 2015.

Depois das saudações da praxe proferidas pelas autoridades presentes e do cerimonial habitual das reuniões elistas, com a “entronização” das bandeiras nacionais e dos estandartes dos clubes e a oração elista, coube a Marcelo Rebelo de Sousa, conselheiro de Estado, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e conhecido comentador político da TVI, a pronúncia da conferência magna da sessão de abertura, centrada na criação, no desenvolvimento e nos desafios actuais colocados ao movimento elista. No decurso da sua muito apreciada comunicação, foi recordada a devoção do seu saudoso pai, Baltazar Rebelo de Sousa, ex-presidente do Elos Internacional, a este movimento que tem entre os seus principais propósitos a promoção e defesa da língua portuguesa e da memória lusíada no mundo.

Na qualidade de presidente do Conselho Superior do Elos Internacional, assumi a coordenação das sessões plenárias realizadas nos dias subsequentes, ao lado da presidente internacional, Maria Inês Botelho, do Brasil. Debateram-se os novos projectos de estatutos e regulamentos do Elos Internacional, foi escolhida a cidade de Santos para sede da próxima convenção, em 2015, e procedeu-se à eleição dos novos responsáveis do movimento, que são agora José Ângelo Lobo do Amaral, dos Elos Clubes de Lisboa e de Macau (presidente), Ramiro Cruz, de São Paulo (vice-presidente), e António Abraços, do Rio de Janeiro (secretário-geral). Acções complementares, como uma exposição de fotografias de actividades elistas, a apresentação do selo comemorativo da XXIX Convenção Internacional, uma homenagem aos companheiros elistas que “proporcionaram a construção sólida do movimento elista”, a divulgação de vídeos e DVDs e uma exposição de livros de autores elistas, com destaque para Maria da Conceição e Deodato Pires, de Olhão, e Fernando Cardoso, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e membro do Elos Clube de Lisboa, conhecido pela sua meritória obra dedicada a crianças.

Também foi apresentado o livro “Fragmentos Poéticos”, de António Patrício, edição da COD (Macau), com apoio e colaboração do Elos Clube de Macau, prefácio de José Augusto Seabra e oportunos e bem elaborados textos complementares de Luís Sá Cunha, além duma tese sobre Fernando Pessoa. Foi decidido também reforçar o funcionamento do Centro de Documentação e Memória Elista em Santos.

Como antigo presidente do Elos Internacional, conjuntamente proposto pelos Elos Clubes de Lisboa e de Macau (eleito em São Paulo em 1999 e reeleito em Coimbra em 2001), é com especial satisfação que vejo novamente escolhido para encabeçar este movimento um elista ligado aos clubes de Lisboa e de Macau.

Conferência na Universidade

Quanto à conferência na Universidade do Algarve, reconheceu-se nela que a função de afirmação e concretização diária do uso da língua portuguesa é, natural e eficazmente desenvolvida, pela sociedade civil, sendo determinante e insubstituível o papel de associações, empresas, órgãos de comunicação social, fundações e organizações não governamentais na consolidação da língua em todo o mundo onde é falada. Procurou-se, portanto, nesta conferência, “mobilizar todos os actores desse universo para assumirem o papel que lhes cabe na afirmação da nossa língua comum como idioma estratégico de comunicação global e sensibilizá-los para as oportunidades que se desenvolvem pela partilha de uma língua franca num espaço geográfico tão alargado”.

Cumpriu-se também o propósito de chamar a atenção e abrir o caminho para a projecção da grande conferência que a CPLP vai organizar em Lisboa, nos próximos dias 28 e 29, sobre a língua portuguesa como idioma de comunicação internacional, em conformidade com o Plano de Acção de Brasília respeitante à promoção e difusão da língua, onde estão expressos objectivos e procedimentos claros visando ampliar o seu uso em organizações internacionais.

Após intervenções do reitor da Universidade do Algarve, Prof. João Guerreiro, do presidente do Observatório da Língua Portuguesa, Embaixador Eugénio Anacoreta Correia, do secretário-executivo da CPLP, Embaixador Murade Murargy, do Ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação de Cabo Verde, Prof. António Correia da Silva, e do representante do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, país que tem presentemente a presidência da CPLP, coube ao Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, presidente da Assembleia Geral do Observatório da Língua Portuguesa e também presidente do Centro Nacional de Cultura, a apresentação da comunicação de abertura, subordinada ao tema “A Sociedade Civil no Espaço de Língua Portuguesa”, através da qual foram deixadas pistas para os trabalhos desenvolvidos nas várias sessões, conforme o programa traçado que foi integralmente cumprido.

Três temas foram abordados por especialistas, com muito boa participação do público presente: “A Sociedade Civil e o Ensino da Língua Portugesa”, “A Sociedade Civil e a Difusão Pública da Língua Portuguesa” e “A Sociedade Civil e o Valor Económico da Língua Portuguesa”, em sessões coordenadas pela Dra. Fátima Fonseca, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, pela Dra. Maria Helena Melim Borges, da Fundação Calouste Gulbenkian, e pelo autor deste artigo, na qualidade de presidente do IIM. Seguiu-se uma antevisão da “II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial”, feita pela Prof. Ana Paula Laborinho, da Faculdade de Letras de Lisboa e presidente do Camões – Instituto de Cooperação e da Língua, sendo a sessão moderada pelo Prof. António Dias Farinha, representante do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, cabendo ao Prof. Júlio Pedrosa, ex-Ministro da Educação e ex-reitor da Universidade de Aveiro, elaborar as conclusões que serão agora submetidas às entidades competentes.

Comissão Temática

Por decisão do Secretariado Executivo da CPLP, que tem sede em Lisboa, a Comissão Temática da Língua Portuguesa ficou constituída pelos presidentes das seguintes instituições: o Observatório da Língua Portuguesa, que assumiu a coordenação, a AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Confederação Empresarial da CPLP e o IIM, cabendo-lhe promover iniciativas que visem a maior difusão da língua portuguesa, colaborando com as estruturas da CPLP e os organismos oficiais dos países-membros na difusão e execução das políticas públicas neste domínio.

Todas estas entidades têm o estatuto de observador consultivo junto da CPLP, sendo o IIM o único organismo com sede em Macau a quem foi atribuído este reconhecimento. O IIM é também o representante do Observatório da Língua Portuguesa em Macau e junto de organismos académicos e culturais de países e territórios do Extremo Oriente.

Múltiplas outras entidades colaboraram na realização desta conferência, cujo sucesso foi largamente aplaudido, desde a Associação Internacional de Lusitanistas e o Elos Internacional às Associações Timorense e Coração em Malaca.

Jorge A. H. Rangel, Presidente do Instituto Internacional de Macau.

 

Fonte: Tribuna de Macau

Fotos

Fotos:

Jorge Rangel – Instituto Internacional de Macau;

– Da Esq. para a Dir.: Jorge Pedreira- Editora LeYa; José Paulo Esperança – ISCTE / IUL; Jorge Rangel – Instituto Internacional de Macau; Salimo Abdula – Confederação empresarial da CPLP. (Foto CPLP)

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