Quase 1.600 estudantes chineses estão a frequentar licenciaturas em português em 21 universidades da China continental.

“Se todos os alunos concluíram os estudos, há hoje 2.256 licenciados em língua portuguesa na China”, especificou Liu Gang, professor de português e responsável pela edição da revista Portu-nês, uma publicação ‘online’ de Estudos Portugueses no país.

Pequim, 11 dez (Lusa) – Quando questionada sobre a opção pela licenciatura em língua portuguesa, a chinesa Liu Wei, estudante na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, corrige prontamente o repórter: “Na verdade, foi o português que me escolheu a mim”.

“Inicialmente, optei pelo curso de espanhol, mas a média era muito alta e acabei por escolher o português”, recorda Liu, que os amigos portugueses tratam por Leonor.

Para a chinesa natural de Pequim, aquele episódio foi um “feliz acidente”: “Os formados em língua portuguesa são mais procurados no mercado de trabalho”, realça.

Foto LUSA: Uma estudante chinesa recém-formada à procura de colocação no mercado de trabalho. Hangzhou, província de Zhejiang, China, 28 de março de 2014. EPA / WU HONG

Foto LUSA: Uma estudante chinesa recém-formada à procura de colocação no mercado de trabalho. Hangzhou, província de Zhejiang, China, 28 de março de 2014. EPA / WU HONG

Liu Wei foi uma das vencedoras do Prémio Tomás Pereira, uma distinção atribuída anualmente aos melhores estudantes chineses de português pela embaixada de Portugal em Pequim, em parceria com universidades portuguesas e chinesas.

Os quatro alunos premiados – um por cada ano da licenciatura – terão a possibilidade de frequentar um curso de verão intensivo em Portugal, numa iniciativa patrocinada pelas universidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro.

Já as viagens serão pagas pela China Three Gorges (CTG), que em 2012 comprou ao Estado Português 21, 35% do capital da EDP (Energias de Portugal).

“Um dia que regressem à China serão bem-vindos à nossa equipa”, disse aos alunos o vice-presidente da CTG, durante a cerimónia de entrega dos prémios, que se realizou na quinta-feira na embaixada portuguesa.

O prémio homenageia também um dos mais ilustres missionários portugueses estabelecidos na China no século XVII, Tomás Pereira, que foi músico e conselheiro do imperador Kangxi.

“Desde que cheguei aqui que rapidamente me apercebi que é talvez a figura no relacionamento entre Portugal e a China que mais merece ser conhecida”, referiu à agência Lusa o embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres-Pereira.

Conhecido na antiga corte imperial chinesa como músico, astrónomo, matemático e diplomata, Tomás Pereira desempenhou também um papel importante nas negociações do primeiro acordo fronteiriço entre a China e a Rússia, no final do século XVII.

“O seu contributo foi multifacetado e incontroverso. Mas, estranhamente, ele continua a ser pouco conhecido”, acrescentou Torres-Pereira.

Para obter um contacto mais direto com a língua que estuda há quatro anos, Leonor costuma ouvir música portuguesa no Youtube, a maior plataforma ‘online’ de partilha de vídeos, mas que está censurada na China.

“Não temos o Youtube, mas podemos utilizar uma VPN (Virtual Proxy Network)”, explica, referindo-se a um mecanismo que permite aceder à internet através de um servidor localizado fora da China.

Devido ao peso do Brasil, que tem cerca de 200 milhões de habitantes, o português é a língua mais falada no hemisfério sul e, também, a quinta mais usada ‘online’, a seguir ao inglês, chinês, árabe e espanhol e à frente do francês e do alemão.

JOYP // MP – Lusa/Fim
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