Maputo, 13 nov 2022 (Lusa) – A exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma, no Projeto Coral Sul, em Moçambique, arrancou hoje, anunciou o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

“Hoje, Moçambique entra para os anais da história mundial como um dos países exportadores de gás natural liquefeito, que além de representar uma fonte alternativa de fornecimento, contribui em larga medida para a segurança energética nos países de maior consumo”, declarou Filipe Nyusi, numa declaração à nação.

Dos três projetos de gás natural liquefeito aprovados para a região norte de Moçambique, coube à plataforma Coral Sul, em mar alto, afastada da violência armada em Cabo Delgado, estrear a exportação das reservas, que vão sair no navio cargueiro British Sponsor, que já está em território moçambicano.

A plataforma liderada pela petrolífera italiana Eni vai produzir 3,4 milhões de toneladas por ano.

O projeto Coral Sul consiste na construção de uma unidade flutuante para a liquefação de gás natural (FLNG), tratando-se do primeiro projeto de desenvolvimento relacionado com as descobertas realizadas na Área 4 na bacia do Rovuma, em Moçambique.

A Galp detém uma participação de 10% no consórcio para o desenvolvimento da Área 4.

A Eni é a operadora com uma participação indireta de 50%, através da Eni East Africa, a qual detém uma participação de 70% na Área 4.

A Kogas e a ENH detêm uma participação de 10% cada no projeto, enquanto a China National Petroleum Corporation (CNPC) detém uma participação indireta de 20% através da Eni East Africa.

Para o chefe de Estado moçambicano, a saída do primeiro navio cargueiro com gás da bacia do Rovuma é um sinal de “reconhecimento do ambiente estável, transparente e previsível para a realização de investimentos multibilionários” que Moçambique procura ter, embora a violência armada prevaleça entre as principais ameaças à exploração das reservas que se encontram catalogadas entre as maiores do mundo.

O projeto da TotalEnergies, que está entre os três de maior dimensão, já estava em andamento, mas foi suspenso em março de 2021 devido aos ataques armados em Cabo Delgado.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada promovida por rebeldes, com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

Em cinco anos, o conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

EYAC // VM – Lusa/Fim

Foto: O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. ANTÓNIO SILVA / LUSA

VER:

Plataforma flutuante começa a extrair gás ao largo de Moçambique

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