Assim de ‘científica’ e ‘despolitizada’ é a visom das línguas segundo o governo de Feijoo, que tanto defende o lingüísta e secretário geral de política lingüística, Anxo Lorenzo.

Segundo informou o Portal Galego da Língua, os incumprimentos do PP às suas próprias propostas continuam a ser o pam de cada dia.

Neste caso é a vez do português no ensino, pois os populares rejeitárom a presença como segunda língua estrangeira ao considerar que se trata de umha proposta com «complexo ideológico». Esta reaçom contradiz os compromissos do mesmíssimo Alberto Núñez Feijóo, quem prometera ao embaixador português no Estado espanhol em meados de 2009 introduzir o português no ensino galego.

Os votos contrários do PP impedírom que prosperasse umha proposiçom nom de Lei do BNG, que pretendia instar a Junta a ofertar o português como segunda língua estrangeira nos institutos públicos da Galiza, e dotar estes centros do professorado necessário.

Na altura, o presidente da Junta prometera estudar a questom, especialmente devido às observações do diplomático luso no senso de o português formar parte já do currículo educacional em regiões espanholas como a Estremadura. Literalmente, Feijóo anunciou que o pedido do embaixador merecia umha «resposta positiva».

A realidade fica em evidência

«Corporativista», «batoteira» ou «complexo ideológico», assim qualificou o partido da burguesia espanholista a reivindicaçom da totalidade dos sindicatos galegos do ensino e da Associação de Docentes de Português na Galiza.

É curioso como no caso da Galiza o ‘português’ se converte numha questom praticamente de Estado.

Mas que problema tem o PP contra o ensino de umha ‘língua estrangeira’ na Galiza quando o mesmo partido defende o seu ensino noutros territórios que partilham fronteira política com o Estado luso?

O PP é consciente que o português na Galiza nom é assim tam ‘estrangeiro’. Ao contrário, com certeza, os populares sabem que o ensino do português na Galiza nom é mais que o ensino do galego, já que som a mesma língua escrita com grafias distintas e, portanto, implicaria um reforço da língua autótone frente à imposiçom do espanhol.

O que ganharíamos nós?

Estudar português na Galiza supom capacitar plenamente os galegos e galegas a se relacionarem com umha populaçom potencial de mais de 200 milhões de pessoas que falam na sua mesma língua. Implica demonstrar na prática que o galego é umha língua extensa e útil, presente nos cinco continentes do mundo e que está numha situaçom privilegiada em relaçom ao conjunto de línguas romances.

Implicaria melhorar o depauperado nível das competetências orais e escritas em galego, pôr em pé de igualdade o galego com o espanhol no mundo da economia, do audiovisual, laboral, empresarial…

Mostraria como o Brasil, país que se está a situar entre as primeiras potências económicas do mundo, é um país de fala galega; e, portanto, perturbaria os planos de desapariçom da língua galega que o projeto nacional da burguesia espanhola tem gizado para o nosso povo, ao lhe gerar orgulho e autoestima pola nossa língua nacional.

Quando galego e português som a mesma língua

A identificaçom entre galego e português a esses níveis nom interessa ao espanholismo.

Apenas interessa ao poder espanhol identificar galego e português quando a UNESCO alerta das línguas que tenhem o risco de desaparecer, para assim nom incluir o galego, como acontece na atualidade e nom gerar alarmismo com este tipo de situaçons incómodas.

É pois evidente que o português na Galiza sim é umha questom política. Por isto parece que nom virá das instituiçons um fomento do português semelhante ao que se dá na Estremadura espanhola.

O ensino do português virá de um ensino popular à margem das instituiçons ou, infelizmente, parece que nom virá.

 

FONTE: Diário Liberdade

Partilhar