8 March 2021
Um avião da TAP. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Português na ICAO

Sara Lopes, ministra das Infraestruturas e da Economia Marítima de Cabo Verde, falava à Lusa após a sessão de abertura da V Reunião da CAACL, que começou hoje (20 de março de 2015) na Cidade da Praia e se prolonga até sexta-feira, tendo defendido, porém, que a comunidade da aviação civil lusófona se transforme num mecanismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Incentivei os membros da comunidade, que é um espaço de concertação e não implica ainda os Estados, a transformar a CAACL num mecanismo da CPLP, formalmente assumido pelos chefes de Estado e de Governo, para que as recomendações, projetos e ações tenham enquadramento e patrocínio político”, propôs.

Avião CPLPSara Lopes lembrou que Cabo Verde vai assumir, em 2016, um lugar no Conselho da Agência de Aviação Civil da União Africana (UA), sucedendo, como representante da África Ocidental, ao Burquina Faso, e que, nessa altura, irá defender a introdução do Português como língua de trabalho na ICAO.

Segundo a governante cabo-verdiana, assim que tiver assento no conselho, Cabo Verde vai defender que o Português “é e deve ser língua” da ICAO, pois isso irá permitir reduzir muito os custos operacionais dos países lusófonos.

“Se a ICAO traduzir os documentos produzidos diariamente, as orientações, normas e padronizações de procedimentos para os Estados permitirá que não fiquem para trás”, salientou, recorrendo ao lema da 38.ª Assembleia-Geral da ICAO – “No Country Left Behind” (Nenhum país fica para trás).

“Se quiser ajudar os países de língua portuguesa a não ficar para trás, comecem a ajudar-nos a reduzir os custos da tradução e os custos elevados que representam a formação permanente em língua inglesa a todos os profissionais. A língua inglesa será sempre necessária, porque é a língua da aviação, mas se os documentos estiverem em Português, as pessoas poderão apropriar-se mais deles mais rapidamente”, sustentou.

Para aí chegar, acrescentou, recomendou aos participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (ausente da reunião) que unam esforços na criação de instituições de formação e de capacitação contínua de recursos humanos.

“É um setor crítico na aviação civil. Não se pode estar na aviação civil com insuficiências profissionais. É melhor não estar pelos riscos que isso representa. Quem está no setor, o que fizer tem de fazer muito bem. Isso significa um grande custo, para as empresas e instituições se cada um tiver de fazer por si”, realçou.

Para Sara Lopes, outra recomendação à CAACL, que contará a partir de sexta-feira com a congénere da Guiné Equatorial, passa por uma maior cooperação institucional, por uma colaboração no desenvolvimento dos estudos e na produção de legislação e também nas liberdades aéreas.

A CAACL foi criada em 2007 – realizou a sua última reunião em 2011 – visando garantir a harmonização e conjugação de esforços para fazer face ao contexto da globalização, o que impõe alterações substanciais ao transporte aéreo e imprime uma nova dinâmica de crescimento da aviação civil internacional.

JSD // APN – Lusa/fim

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