“O português como língua de herança, falado pelas nossas comunidades e que as comunidades querem que seja ensinado aos seus filhos, é uma das melhores expressões da natureza global da língua portuguesa e é um dos melhores veículos para afirmar internacionalmente o valor a língua portuguesa”, sublinhou o governante, numa sessão de apresentação sobre o ensino do português para as comunidades portuguesas, na sede do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, em Lisboa.

Santos Silva rejeitou a ideia de que há, “de um lado, o português como língua de herança”, e que deve ser cuidado, e, “de outro lado, o português como língua global”, como se estas “fossem duas realidades diferentes, que se contrapusessem entre si”.

O chefe da diplomacia portuguesa referiu-se aos cerca de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes que estão fora de Portugal e garantiu que “é responsabilidade” e “uma obrigação constitucional”, bem como “uma das prioridades” do ministério que lidera, garantir o acesso ao ensino da língua portuguesa e da história e cultura de Portugal.

O ministro considerou também que é uma visão “profundamente errada” aquela que considera que o Governo gostaria de olhar para o português “só como língua global” e que o ensino do português como língua de herança “é um lastro do passado, que perdurará ainda durante alguns anos, mas pertencerá cada vez mais aos livros de história do que à realidade contemporânea”.

O objetivo do Governo é que o ensino do português seja cada vez mais integrado no sistema de ensino dos diferentes países, em vez de ser oferecido como formação paralela.

O executivo quer também que o português surja mais como língua na oferta curricular dos “países em que as comunidades estão presentes e dos outros países que vão entendendo que a presença do português como língua estrangeira na oferta curricular é importante para valorizar os seus sistemas de ensino” – casos de países como o Senegal, Uruguai, Croácia ou Bulgária, sustentou.

Um tipo de ensino dirigido às “dezenas de milhares de estudantes, não descendentes de portugueses, que estudam a língua portuguesa”, referiu augusto Santos Silva.

No novo ano letivo, mais de 71 mil alunos serão abrangidos pelo sistema de ensino de português no estrangeiro, nos níveis básico e secundário, em 17 países, contando com cerca de mil professores, números que representam “um reforço” em relação ao passado, disse o ministro.

JH // JMR – Lusa/fim
close
Subscreva as nossas informações
Partilhar