25 February 2021
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, durante a sua intervenção na sessão de apresentação das medidas de promoção do ensino da língua portuguesa junto das comunidades nacionais residentes no estrangeiro, no Instituto Camões em Lisboa, 15 de setembro de 2016. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Português falado pelas comunidades afirma o seu valor internacional

“O português como língua de herança, falado pelas nossas comunidades e que as comunidades querem que seja ensinado aos seus filhos, é uma das melhores expressões da natureza global da língua portuguesa e é um dos melhores veículos para afirmar internacionalmente o valor a língua portuguesa”, sublinhou o governante, numa sessão de apresentação sobre o ensino do português para as comunidades portuguesas, na sede do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, em Lisboa.

Santos Silva rejeitou a ideia de que há, “de um lado, o português como língua de herança”, e que deve ser cuidado, e, “de outro lado, o português como língua global”, como se estas “fossem duas realidades diferentes, que se contrapusessem entre si”.

O chefe da diplomacia portuguesa referiu-se aos cerca de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes que estão fora de Portugal e garantiu que “é responsabilidade” e “uma obrigação constitucional”, bem como “uma das prioridades” do ministério que lidera, garantir o acesso ao ensino da língua portuguesa e da história e cultura de Portugal.

O ministro considerou também que é uma visão “profundamente errada” aquela que considera que o Governo gostaria de olhar para o português “só como língua global” e que o ensino do português como língua de herança “é um lastro do passado, que perdurará ainda durante alguns anos, mas pertencerá cada vez mais aos livros de história do que à realidade contemporânea”.

O objetivo do Governo é que o ensino do português seja cada vez mais integrado no sistema de ensino dos diferentes países, em vez de ser oferecido como formação paralela.

O executivo quer também que o português surja mais como língua na oferta curricular dos “países em que as comunidades estão presentes e dos outros países que vão entendendo que a presença do português como língua estrangeira na oferta curricular é importante para valorizar os seus sistemas de ensino” – casos de países como o Senegal, Uruguai, Croácia ou Bulgária, sustentou.

Um tipo de ensino dirigido às “dezenas de milhares de estudantes, não descendentes de portugueses, que estudam a língua portuguesa”, referiu augusto Santos Silva.

No novo ano letivo, mais de 71 mil alunos serão abrangidos pelo sistema de ensino de português no estrangeiro, nos níveis básico e secundário, em 17 países, contando com cerca de mil professores, números que representam “um reforço” em relação ao passado, disse o ministro.

JH // JMR – Lusa/fim

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