28 February 2021
O novo secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defendeu hoje que o facto de Portugal pertencer à organização pode ajudar o país a “salvar-se da crise”, realçando que os países lusófonos o apoiarão.

Portugal “pode salvar-se da crise” com apoio dos países lusófonos

“Portugal pode salvar-se da crise porque tem os países da CPLP como seus apoiantes”, disse o diplomata moçambicano Murade Murargy, em entrevista à Lusa, na sede da CPLP, em Lisboa, onde se prepara para iniciar o seu mandato à frente da organização lusófona.

É preciso é que “Portugal se envolva cada vez mais neste espírito comunitário”, acrescentou, aludindo ao “grande fluxo migratório de portugueses para Angola, Moçambique, Brasil”, países que “precisam” também do contributo destes emigrantes.

Na CPLP, tem de haver uma “distribuição de responsabilidades”, de acordo com o desenvolvimento de cada Estado-membro, afirmou.

“Estamos a intensificar muito a cooperação Sul-Sul, que tem muitas hipóteses de vingar”, indicou, recordando a “dependência” que os países lusófonos “ainda têm em relação aos países desenvolvidos do Norte”.

“Não é um confronto com o Norte, mas uma tentativa de manter um equilíbrio de cooperação”, sublinhou, reconhecendo que Brasil, Angola e Moçambique lideram a iniciativa.

Aliás, Moçambique e Angola estão a atrair outros países da região onde se situam, sublinhou, referindo que a Namíbia já formalizou o pedido para ser aceite como membro observador da CPLP. “Há um interesse pela língua portuguesa e outros mais virão”, disse.

A cooperação económica será “uma prioridade”, garantiu Murargy, recordando que, como embaixador de Moçambique no Brasil teve essa preocupação. “É possível estabelecer plataformas de promoção de investimento” no espaço lusófono, disse.

“A crise vai passar”, referiu Murargy, estabelecendo como “desafio principal” para os próximos dois anos “fazer conhecer a CPLP junto dos respetivos povos”.

 

 

“A CPLP existe, mas ainda não está suficientemente conhecida”, o que faz com que “não responda aos objetivos para que foi criada”, reconheceu, realçando que, com 16 anos, a organização ainda “é bastante nova”.

 

SBR //VM.

Lusa/Fim

 

Fotos: LUSA

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