8 March 2021
Presidente de Angola João Lourenço (E) e o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (D). 22 de novembro de 2018. MARIO CRUZ/LUSA

Portugal e Angola serão “mediadores indispensáveis” no fortalecimento da relação UE/África

Luanda, 24 nov (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros português considera que Angola será, com Portugal, o “mediador indispensável” do fortalecimento das relações entre a Europa e África, destacando o “grande prestígio conquistado já pelo Presidente angolano na cena internacional.

As ideias de Augusto Santos Silva estão expressas hoje no semanário económico angolano Expansão, que publicou hoje a 500.ª edição do jornal, e em que o chefe da diplomacia portuguesa responde a um questionário de quatro perguntas feitas também a cinco outros diplomatas da África do Sul, Brasil, China, Índia e Estados Unidos.

“No futuro do relacionamento [entre os dois países], e do ponto de vista português, Angola é um parceiro cada vez mais respeitado na comunidade internacional, que será, com Portugal, o mediador indispensável do fortalecimento das relações entre a Europa e África, que é hoje o mais eficaz fator de estabilização na região [africana]”, afirmou Santos Silva.

“O Presidente [de Angola] João Lourenço já formou uma imagem de grande prestígio em múltiplos fóruns, podendo eu próprio testemunhá-lo pessoalmente. Por isso mesmo, a parceria estratégica [bilateral] diz respeito a todas as áreas, da diplomacia à cultura, da cooperação à economia, e tem agora um horizonte de aprofundamento e de progresso que talvez nunca tenha tido antes”, acrescentou.

Salientando que Portugal e Angola têm uma relação “entre iguais”, em que “ambos devem colher benefícios equivalentes”, o chefe da diplomacia portuguesa escusou-se a tecer quaisquer críticas ao relacionamento bilateral no passado, lembrando que tanto Lisboa como Luanda viveram crises económicas, que trouxeram impactos negativos” a ambos os países.

“Acredito que, em ambos os casos, isso é passado e que, com o tempo e a determinação necessária vamos conseguir resolver questões pendentes em matéria de pagamentos e de acesso a divisas. Como MNE, concentro-me no futuro e só posso classificá-lo como promissor”, sublinhou Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, insistindo na ideia de “países irmãos”, sublinhou a excelências das relações bilaterais nos planos político diplomático, bilateral e multilateralmente – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e nas Nações Unidas e no diálogo euro-africano -, e económico.

Sobre as oportunidades de negócio existentes em Angola, Santos Silva assumiu o interesse de Portugal na diversificação económica do país, apostando sobretudo em áreas como as infraestruturas, indústrias do ambiente, transformadora e extrativa, e agricultura e desenvolvimento rural.

“[Tal como definiu João Lourenço] queremos desenvolver a base industrial e agrícola [de Angola] substituindo as importações por produção própria e diversificando a economia, tornando-a menos dependente da exploração petrolífera”, exemplificou.

Santos Silva destacou também que Luanda já aprovou novas leis – da Concorrência e do Investimento Privado -, que “melhoram a atratividade da economia angolana para o investimento estrangeiro”.

“[Em relação a Portugal] a assinatura da Convenção para Eliminar a Dupla Tributação e o Acordo para Proteção e Promoção Recíproca de Investimentos [entretanto também já rubricada], garantem previsibilidade e segurança para a ação dos investidores quer portugueses quer angolanos”, assinalou.

Também como pontos positivos para o investimento português em Angola, o ministro dos Negócios Estrangeiros português destacou a Língua Portuguesa e a proximidade cultural, a familiaridade do quadro institucional e jurídico, o relacionamento tradicional e o conhecimento recíproco “ao longo de décadas e décadas”.

“Há enormes oportunidades no território e na economia angolana e ainda o papel de Angola como mercado de entrada para toda a África central e austral”, concluiu.

A publicação da 500.ª edição do semanário angolano Expansão coincide com a visita de Estado de João Lourenço a Portugal, iniciada quinta-feira e que, oficialmente, terminou sexta-feira.

Hoje, último dia da visita, João Lourenço cumpre um programa não oficial, estando previsto que deixe Lisboa com destino a Luanda na manhã de domingo.

JSD // VC – Lusa/Fim

Presidente de Angola João Lourenço (E) e o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (D). 22 de novembro de 2018. MARIO CRUZ/LUSA

Também poderá gostar

Sem comentários

ARTIGOS POPULARES