A parceria resulta da aposta do Governo brasileiro em qualificar os jovens, proporcionando-lhes o conhecimento de outras realidades de ensino, através do programa “Ciências sem Fronteira”.

Os politécnicos portugueses concorreram com instituições de diversos países e conseguiram entrar nesta parceria, recebendo anualmente, em Portugal, mais de 1.500 estudantes brasileiros, segundo explicou Sobrinho Teixeira, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

“Eu acho que é vitória para nós e também para o próprio país, que consegue ter este dinamismo”, vincou.

O homólogo brasileiro, Dénio Rebelo Arantes, presidente do CONIF, Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, enquadrou esta parceria na aposta que o Brasil está a fazer na expansão da rede de institutos federais que “eram pouco mais de 140 e hoje são cerca de 470”.

O governo brasileiro entende, segundo aquele responsável, que “para qualificar a sua educação é preciso conhecer o que acontece na educação no resto do mundo para poder aproveitar aquilo que tem de melhor”.

“O ‘Ciências sem Fronteira’ é um programa bastante ambicioso, porque não quer apenas aprender com o mundo, mas trocar pessoas, culturas e permitir que o país avance de forma significativa na ciência, na tecnologia, e na educação”, acrescentou.

Portugal foi um dos países escolhidos para esta “troca” pela proximidade cultural.

“Não tem a barreira da língua e eu tenho certeza que aquele sentimento de estranheza que o aluno tem, o receio de ir para o exterior, diminui muito ao pensar em vir para Portugal”, afirmou.

“Serão 4.500 alunos do ensino superior brasileiro, de institutos federais, que virão estudar nos politécnicos portugueses nos próximos três anos”, acrescentou.

Portugal é o país mais procurado pelos estudantes brasileiros no programa “Ciência sem Fronteiras”, com 12.000 pedidos já feitos, segundo o Governo brasileiro.

“Numa primeira fase, 1.500 alunos do ensino superior de institutos federais brasileiros serão escolhidos para, no próximo ano, frequentar os institutos politécnicos em Portugal”, disse o presidente da CONIF, organização que reúne 42 escolas e 470 mil alunos, sendo 130 mil do ensino superior.

O Brasil também vai receber alunos portugueses, no âmbito desta parceria, mas o processo ainda está em preparação.

As instituições de ambos os países assinaram ainda, em Bragança, um outro protocolo “tendente a um reconhecimento mútuo dos cursos tirados nos politécnicos portugueses e nos politécnicos brasileiros”.

“É um grande passo para um aprofundamento, por um lado da lusofonia, por outro lado também para uma facilitação dos jovens portugueses encontrarem emprego no Brasil e dos jovens brasileiros encontrarem também empregos em Portugal”, considerou o presidente do CCISP.

Sobrinho Teixeira é também presidente do Instituto Politécnico de Bragança, o anfitrião da segunda conferência internacional de Universidades de Ciências aplicadas, que terminou hoje, na cidade transmontana.

O encontro, que juntou representantes de instituições de vários países do mundo, serviu para discutir o papel destas instituições, equivalentes aos politécnicos portugueses, e que, nalguns países da Europa, são já responsáveis por “dois terços” dos estudantes do ensino superior, segundo a organização.

 

HFI/CSR. // SSS./EJ.

Lusa/fim

Foto: LUSA (Navio Escola “BRASIL” (U27), da Marinha do Brasil – 25/09/2010)

 

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