Ativo até os últimos dias, Manoel de Barros escreveu ao todo 28 livros, entre poesia, livros infantis e relatos autobiográficos. A sua última obra, “Portas de Pedro Viana”, foi publicada em 2013, quando já tinha 97 anos.

Venceu duas vezes o prémio Jabuti, principal galardão da literatura brasileira, com as obras “O Guardados de Águas” (1990) e “O Fazedor do Amanhacer” (2001). Entre as suas obras mais conhecidas figura ainda “Livro Sobre Nada” (1996).

Em Portugal, o seu trabalho foi publicado em 2000 sob o título “O Encantador de Palavras”, com organização e seleção do escritor Valter Hugo Mãe.

Filho de um fazendeiro, Manoel de Barros estudou num internato, onde teve longo contato com a obra de padre António Vieira. Estudou Direito no Rio de Janeiro, aproximando-se das ideias comunistas, vindo a integrar posteriormente a organização Juventude Comunista.

O poeta rompe ideologicamente depois de se sentir dececionado com Luís Carlos Prestes, líder dos comunistas braisleiros, que decide, após dez anos de prisão, apoiar Getúlio Vargas, o mesmo presidente que o tinha mandado à prisão e entregado a sua companheira, Olga Benário, ao regime nazista.

Sobre a sua rotina de escritor, Barros costumava dizer que se dedicava todos os dias a uma espécie de “escavação das palavras”, consultando livros antigos e dicionários de etimologia num escritório da sua própria casa, ao qual se referia como “lugar de ser inútil”.

FYRO // EL – Lusa/fim

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