3 March 2021
O poeta brasileiro Manoel de Barros faleceu hoje, aos 97 anos, no hospital Proncor, na cidade de Campo Grande, centro-oeste do Brasil, onde convalescia de uma cirurgia.

Poeta brasileiro Manoel de Barros morre aos 97 anos

Ativo até os últimos dias, Manoel de Barros escreveu ao todo 28 livros, entre poesia, livros infantis e relatos autobiográficos. A sua última obra, “Portas de Pedro Viana”, foi publicada em 2013, quando já tinha 97 anos.

Venceu duas vezes o prémio Jabuti, principal galardão da literatura brasileira, com as obras “O Guardados de Águas” (1990) e “O Fazedor do Amanhacer” (2001). Entre as suas obras mais conhecidas figura ainda “Livro Sobre Nada” (1996).

Em Portugal, o seu trabalho foi publicado em 2000 sob o título “O Encantador de Palavras”, com organização e seleção do escritor Valter Hugo Mãe.

Filho de um fazendeiro, Manoel de Barros estudou num internato, onde teve longo contato com a obra de padre António Vieira. Estudou Direito no Rio de Janeiro, aproximando-se das ideias comunistas, vindo a integrar posteriormente a organização Juventude Comunista.

O poeta rompe ideologicamente depois de se sentir dececionado com Luís Carlos Prestes, líder dos comunistas braisleiros, que decide, após dez anos de prisão, apoiar Getúlio Vargas, o mesmo presidente que o tinha mandado à prisão e entregado a sua companheira, Olga Benário, ao regime nazista.

Sobre a sua rotina de escritor, Barros costumava dizer que se dedicava todos os dias a uma espécie de “escavação das palavras”, consultando livros antigos e dicionários de etimologia num escritório da sua própria casa, ao qual se referia como “lugar de ser inútil”.

FYRO // EL – Lusa/fim

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