8 March 2021
Exposição com 46 obras plásticas do poeta e pintor Mário Cesariny, considerado o "grande mestre do Surrealismo" português. Évora, 25 de Setembro 2009. (ACOMPANHA TEXTO). NUNO VEIGA / LUSA

Poesia completa de Mário Cesariny

Lisboa, 07 mar (Lusa) – A poesia completa de Mário Cesariny reunida num só livro vai ser publicada pela primeira vez em outubro pela Assírio & Alvim, que editará na mesma altura correspondência inédita do poeta surrealista, foi hoje anunciado.

No âmbito das iniciativas de “Tributo a Mário Cesariny”, nos dez anos da sua morte, será publicada, “pela primeira vez, a poesia toda reunida num só livro”, disse Manuel Rosa, colaborador externo da Assírio & Alvim e responsável pela chancela Documenta, da editora Sistema Solar.

“É uma mudança editorial significativa, porque nunca se publicou a obra conjunta. Mário Cesariny nunca quis que se fizesse isso enquanto fosse vivo”, contou o especialista à agência Lusa.

Assim, a Assírio & Alvim vai publicar a edição crítica da obra literária de Mário Cesariny, cujo “primeiro volume será de poesia e este será o primeiro ano”.

Ainda sem data, está prevista a publicação de outros dois volumes, um com os textos de prosa poética e outro com os textos de manifestos surrealistas.

“A edição crítica tem importância, porque vem permitir integrar poemas que não estão integrados em nenhum dos livros individuais”, disse o ex-acionista maioritário da Assírio & Alvim.

“Mário Cesariny alterou poemas de uns livros para os outros e alguns não encontraram publicação recente. Alguns foram publicados avulsos em antologias dispersas ou revistas surrealistas internacionais, que nunca encontraram lugar em livro e vão agora integrar a edição crítica”, explicou.

Antes disso, em maio, será reeditado a “Primavera Autónoma das Estradas”, o último livro de poemas de Mário Cesariny (1980), revisto e aumentado pelo autor em 2005.

Outra novidade é a publicação inédita da correspondência de Mário Cesariny com “Laurens Vancrevel, um editor holandês e colecionador de arte, que tem das melhores pinturas de Cesariny de 1950/1960”, e que “manifestou intenção de doar a coleção de pintura à Fundação Cupertino de Miranda”.

“Nessa correspondência inédita, além da qualidade literária, Cesariny fala com muito pormenor da situação literária portuguesa e da sua própria poesia. É um valor acrescentando, porque, com Laurens Vancrevel, Cesariny sentia necessidade de se explicar melhor do que se falasse com um português”, acrescentou.

Para Manuel Rosa, a correspondência de Cesariny tem uma importância particular, já que a “qualidade literária de um simples postal ou carta para um amigo tem sempre um registo poético extraordinário”.

José Manuel dos Santos, escritor, curador e programador cultural, presente na apresentação das iniciativas dedicadas a Cesariny, destacou a este propósito que “a correspondência mostra quase uma continuidade entre o que escreve nas cartas e o poeta, porque são cartas poéticas”.

A publicação de “Cartas de Mário Cesariny para Frida e Laurens Vancrevel” será feita também em outubro, pela editora Documenta, em coedição com a Fundação Cupertino de Miranda.

Manuel Rosa revelou ainda que Laurens Vancrevel “ficou muito agradado com esta publicação e está a fazer notas sobre os surrealistas de que Cesariny mais gostava, para constarem de um glossário final”.

Ainda no mesmo mês está prevista a publicação do audiolivro “Poesia de Mário Cesariny”, dita por Graça Lobo e Mário Cesariny, pela Assírio & Alvim.

“Os audiolivros são importantes para conhecer a poesia de Mário Cesariny”, disse Manuel Rosa, evocando José Manuel dos Santos que, anteriormente, afirmara ser “extraordinária a forma como ele interpreta a sua própria poesia”.

O próprio Herberto Helder, o poeta de “Passos em volta”, amigo de Cesariny, admitira que ficou a gostar muito mais da poesia do autor de “Titânia”, depois de a ter ouvido ser dita pelo próprio, contaram.

Está planeada ainda a publicação, em 2018, de mais correspondência de Mário Cesariny, embora Manuel Rosa não tenha sabido precisar com quem.

“Há alguma correspondência de Mário Cesariny com Alfredo Margarido, mas pouca, não dará para um livro”, afirmou, acrescentando que uma das possibilidades será a publicação de uma compilação de correspondência dispersa.

Manuel Rosa destacou que já anteriormente foram publicados livros de correspondência de Mário Cesariny, como “Gatos comunicantes – Correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny, 1952-1985” e “Cartas para a Casa de Pascoaes”, correspondência trocada entre o poeta surrealista e os dois habitantes da Casa de Pascoaes, João e Maria Amélia Vasconcelos.

“Cartas de Mário Cesariny para Cruzeiro Seixas” e “Um sol resplandecente nas coisas – Cartas de Mário Cesariny para Alberto de Lacerda” são outros volumes de correspondência publicados pela Documenta.

No final do ano vai ainda ser publicada no Brasil “Uma Grande Razão – Antologia Poética de Mário Cesariny”, pela editora Chão de Feira.

AL // MAG – Lusa/Fim

 

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