Lisboa, 02 set (Lusa) – Uma plataforma digital de ensino da língua portuguesa vai ser lançada este mês para reforçar a oferta para crianças e jovens de pais que emigram temporariamente de Portugal, anunciou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

José Luís Carneiro falava no início da primeira sessão de formação presencial, no Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, para docentes da rede oficial e não oficial do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE).

A plataforma digital preparada com conteúdos, metodologias e uma pedagogia de ensino e aprendizagem para responder às necessidades de “crianças, adolescentes e jovens que acompanham os fluxos migratórios de carácter temporário que constituem uma das marcas que Portugal conheceu entre 2011 e 2015”, afirmou.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) contabilizou 485.128 saídas do território nacional entre 2011 e 2014, mas muitas pessoas ficam fora apenas alguns meses ou anos.

Naquele período, as saídas temporárias (inferiores a um ano) somaram 285.814. A tendência temporária e circular da emigração está a crescer, tendo as saídas temporárias, nesse período, passado de 56% para 63% do total.

As famílias envolvidas nestas saídas temporárias procuram manter a ligação dos filhos com a língua portuguesa, mas os cursos nos países de acolhimento (cursos de Português Língua de Herança, PLH) não respondem às necessidades das crianças e jovens destas famílias, com um desenvolvimento linguístico idêntico ao de jovens que ficaram em Portugal, explicou.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas sublinhou o reforço da rede de ensino de português no estrangeiro, não só como língua de herança, mas também como uma língua de estatuto internacional e integrada na estrutura de ensino curricular dos países de acolhimento.

O ensino de língua de herança tem que continuar a ser garantido pelo Estado português às comunidades portuguesas no mundo, mas a língua portuguesa “precisa de evoluir tal como têm evoluído as comunidades portuguesas”, afirmou.

O novo estatuto do português deve passar “pela inclusão na estrutura de ensino curricular nos países de acolhimento, como uma língua integrada, aberta a todos que queiram aprender e a todos que a veem como um instrumento de vinculação à sua pátria, mas também a um mundo cada vez mais globalizado”, explicou.

Neste âmbito, José Luís Carneiro destacou a abertura neste ano letivo (2016-17), pela primeira vez, do ensino de português no segundo e terceiro ciclos em França, o que “abre as portas a mais de 400 mil alunos que passam a ter uma oferta de língua portuguesa no sistema de ensino francês”.

Esta medida “retira a língua portuguesa da lógica das minorias”, disponibiliza uma oferta para todos os cidadãos franceses e permite uma transição mais fácil do primeiro ao terceiro ciclos, ensino secundário e superior em França.

“Queremos que a língua portuguesa seja um veículo de transição do pré-escolar ao ensino superior, tal como acontece em Portugal e dando as mesmas oportunidades aos portugueses que vivem fora” do país, disse.

A rede EPE conta com 585 professores, 44 leitores e 85 mil estudantes na África do Sul, Namíbia, Suazilândia, Zimbabué, Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha, Espanha e Andorra, França, Luxemburgo, Bélgica, Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Austrália.

Até ao momento, estão inscritos 43.234 alunos de português no estrangeiro para o próximo ano letivo (2016-17), de acordo com dados do instituto Camões.

EJ // EL – Lusa/Fim
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