28 February 2021
A presidente do instituto Camões afirmou hoje que as delegações à conferência da língua portuguesa manifestaram a necessidade de transformar o Plano de Ação de Lisboa num quadro de referência que possa ser avaliado.

Plano de Ação de Lisboa deverá ser quadro de referência e avaliação

Ana Paula Laborinho falava na conferência de imprensa de balanço da segunda conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa no sistema mundial, que decorreu em Lisboa na terça e na quarta-feira.

As delegações deixaram clara a necessidade “de que o plano seja transformado num quadro de referência que permita uma avaliação”, explicou a também presidente da comissão organizadora do primeiro segmento (científico e técnico) da conferência.

Esta transformação deverá permitir que “não se tenham sempre uma conjunto de boas intenções que depois não se possam medir em termos de resultados”, disse.

Ana Paula Laborinho destacou o trabalho do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) “de investigação, de produção e análise constante dos desafios de uma política da língua da CPLP”, desenvolvido ao longo de três anos, desde da aprovação do Plano de Ação de Brasília, em 2010.

O diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Gilvan Muller de Oliveira, destacou o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira e os Vocabulários Ortográficos Comuns, apresentados na conferência da língua, em Lisboa, como projetos essenciais na afirmação do português.

O projeto dos Vocabulários Ortográficos Comuns (VOC) da língua portuguesa constitui a organização de três vocabulários (ortográficos) nacionais (VON), os de Moçambique, Brasil e Portugal, e é “um instrumento central da língua”.

“É a primeira vez que, na história da nossa língua, os VOC do Brasil e de Portugal foram disponibilizados e agregados numa única base. É a primeira vez, na história da nossa língua, que um país africano de língua oficial portuguesa (PALOP) tem o seu Vocabulário Ortográfico Nacional concluído: Moçambique”, afirmou.

“Também é a primeira vez que um instrumento central da língua, que é o VOC, e como são os VON que o constituem, foi financiado por um PALOP que é Angola”, acrescentou.

Sobre o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira (PPPLE), Gilvan Muller de Oliveira explicou tratar-se de um portal já disponível ‘online’ com 150 unidades didáticas, disponibilizadas por quatro países (Angola, Brasil, Moçambique e Portugal), que passam a cooperar no ensino da língua.

Em julho de 2014, por altura da cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Dili, Timor-Leste, o PPPLE deverá apresentar 730 unidades didáticas, adiantou.

Gilvan de Oliveira explicou que professores de todo o mundo podem incluir as unidades próprias e aumentar as unidades didáticas existentes com recursos, tarefas e exercícios. “Deste modo, espera-se que o portal vá crescendo à medida que o utilizador faça uso dele”, declarou.

O diretor do IILP anunciou a realização de uma missão do instituto a Timor-Leste em breve: “é a primeira vez que a CPLP vai para a Ásia e o governo de Timor Leste pediu ao IILP uma missão para desenvolver, com especialistas timorenses, o vocabulário nacional do país, com grande possibilidade de ser depois elaborado para o tétum, que é a sua outra língua oficial”, referiu Gilvan de Oliveira.

O diretor do IILP explicou que Timor-Leste é um dos países da CPLP que possui um recenseamento linguístico, o que permite conhecer as línguas faladas pela população e registar o grande interesse na aprendizagem do português.

O embaixador português Rui Aleixo, que presidiu aos trabalhos de elaboração do Plano de Ação de Lisboa, explicou que este plano é composto, essencialmente, por duas partes: a avaliação da implementação do Plano de Ação de Brasília, adotado durante a primeira conferência da língua portuguesa, em Brasília, em 2010, e “medidas inovadoras, que refletem aquilo que a sociedade civil entende que deve ser consignado neste documento”.

Rui Aleixo reiterou os eixos de construção do Plano de Ação de Lisboa, que retoma algumas das orientações do documento de Brasília, ou porque não foram implementadas, ou por precisarem de ser continuadas, dãnado especial destaque a um novo eixo que é o da afirmação da língua portuguesa como língua de ciência e inovação, num conjunto de novas medidas para valorizar o português no mundo.

O CCP propõe ao próximo Conselho de Ministros de Negócios Estrangeiros da CPLP, que se deverão reunir em dezembro, adote o documento. Finalmente, o Plano de Ação de Lisboa terá a aprovação final na cimeira de chefes de Estado e de governo, em Dili, Timor-Leste, país que vai ocupar a presidência da comunidade nos próximos dois anos.

O embaixador afirmou esperar a realização de uma nova conferência da língua “dentro de três anos”.

 

EJ // APN – Lusa/Fim

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