Paris, 01 nov (Lusa) – São cada vez mais as escolas de dança, em Paris, que propõem aulas de semba e kizomba, mas é o professor Edson Tecas que reclama ter sido um dos fundadores destas danças angolanas na capital francesa, em 2009.

Conhecido como “Mister Tecas”, o angolano de 29 anos, criou a 5 de abril de 2009 a associação Kizomba.fr com o objetivo de ensinar na Europa as danças populares angolanas, a começar por França.

“O objetivo primário da associação é transmitir e ensinar as danças populares angolanas, a arte de Angola, dança, gastronomia, todo esse ?package’ de informação que podemos informar aqui na Europa”, contou à Lusa Mister Tecas durante uma aula de dança, acrescentando que a associação tem tido convites de vários países “para ir ensinar a dança, dar conferências, falar um pouco das tradições angolanas”.

Em Paris, Mister Tecas dá aulas de semba e kizomba no Centre Momboye, uma escola que fica no histórico edifício que abriga a sala de concertos La Bellevilloise. Habitualmente o professor ensina as danças angolanas com a companheira “Miss Jo”, mas durante alguns meses do ano – e graças à associação Kizomba.fr – Mister Tecas divide a sala com o coreógrafo angolano Dilson Rosário.

“Todos os anos faço uma tournée, só mesmo de kizomba e semba. Venho ensinar ao estrangeiro, trago o produto original de Angola para cá para a Europa”, disse à Lusa Dilson Rosário, acrescentando que a associação permite fazer a tournée por França, Portugal, Holanda e Inglaterra.

O angolano de 28 anos – que durante as aulas dá as instruções em português e em francês – notou que há cada vez mais alunos, havendo atualmente 43 em Paris e 27 em Lille onde também dá aulas com o colega.

Para ambos os professores, ao contrário da música, ao nível da dança não há grande diferença entre o semba e a kizomba porque são dois ritmos que andam de mãos dadas.

“A música é que difere o que é o semba e a kizomba, através dos acordes e dos instrumentos que neles se compõem. Na dança, a diferença está entre a cadência da música e não nos passos. Os movimentos são todos eles idênticos, tudo depende da criatividade de cada um, mas nos movimentos básicos tudo o que se faz na kizomba é o que se faz no semba”, explicou Dilson.

Para Mister Tecas, apesar do interesse crescente no semba e na kizomba, transmitir os ritmos e a sensualidade angolana não é tarefa fácil porque “o francês pretende preservar aquela postura” associada à musicalidade europeia e às danças de salão.

“Ele [francês] não se encontrando na postura e na musicalidade africanas, procura preservar aquele lado que é o ‘love’ e isso tudo. Então, por isso é que eles de vez em quando dançam sem o sorriso. Já a maneira angolana é mais tradicional, é a festa, é compreender que o cantor está a cantar “Fui numa boda, ganhei uma dama”. Então já traz aquela emoção, festividade, alegria e o sorriso”, descreveu o angolano que vive há nove anos em França.

No final da aula, os professores convidaram os alunos para participarem no “Caldo da Dipanda”, uma festa da associação Kizomba.fr para comemorar os 40 anos da independência de Angola. Uma festa na qual a dança promete ser o prato principal, ao lado de música, poesia e de uma “descoberta gastronómica”, a 15 de novembro, no barco Alizé, em Paris

CAYB // PJA – Lusa/fim
Membros do grupo Kamatembas da Humpata da tribo Mumuilas, 21 de julho de 2010. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Membros do grupo Kamatembas da Humpata da tribo Mumuilas, 21 de julho de 2010. MIGUEL A. LOPES/LUSA

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