2 March 2021

Paracuca de gengibre, doce de coco ou de ginguba, miconde, kitaba, queijada, cocada ou pé de muleque, …

Luanda, 23 dez (Lusa) – Em época de Natal os doces tradicionais angolanos também adornam as mesas das famílias, únicos e com um toque tropical, típico de uma quadra que se festeja no país com altas temperaturas e um toque de praia.

Paracuca de gengibre, doce de coco ou de ginguba, miconde, kitaba, queijada, cocada ou pé de muleque, são alguns dos vários tradicionais doces angolanos que na época natalícia se tornam “indispensáveis”, como explicou à Lusa a cozinheira Maria Agostinho.

Dona de casa e comerciante de doces no mercado do São Paulo, arredores de Luanda, Maria Agostinho diz que os doces que comercializa são procurados nesta altura do ano para preencher a mesa da festa.

“São doces tradicionais que aqui nós fazemos e vendemos e não têm comparação com outros doces que se fazem noutras partes do mundo”, explicou, em conversa com a Lusa.

Sobre o modo como confeciona esses aperitivos para época de Natal, Maria Agostinho prefere não entrar em detalhes por considerar que “o segredo é a alma do negócio”.

“Eu aprendi a fazer esses doces no tempo em que eu ajudava a minha mãe a preparar. E como aprendi só mesmo a ver, não sei ensinar, os truques que uso durante a preparação não posso, dizer é segredo. O melhor mesmo é comprar e provar a minha kitaba ou a miconde”, desafiou.

Para Eva Manuel Adão, de 55 anos, os doces tradicionais de Angola são para ser saboreados em qualquer época do ano, embora com um “sabor especial” no Natal.

“Eu faço e vendo paracuca de coco, paracuca de gengibre, queijada, miconde, doce de coco, doce de ginguba, cocada, pé de muleque e kitaba. Qualquer doce vale para a época de Natal desde que seja fresco e bom para ser degustado”, disse.

O açúcar é um dos ingredientes principais na hora de preparar estes doces, tal como o gindungo (picante) e a ginguba (amendoim) por exemplo para a confeção da kitaba.

“Esses doces são fáceis de fazer, é só não exagerar na quantidade de água e açúcar na hora de fazer o miconde [doce frito] ou mesmo a paracuca de coco que é no fundo a mistura de coco ralado com açúcar torrado, feito em fogo brando para que a coloração do açúcar se mantenha acastanhado”, explicou.

“Gosto mais de fazer a kitaba que é a ginguba torrada moída no almofariz, com uma pitada de sal e gindungo à medida, cuja massa é dividida em quadrados e que pode ser consumida com mandioca ou mesmo o pão. E nos hotéis aqui de Luanda encontramos muito”, precisou Eva Manuel Adão.

Esses doces são “a nossa riqueza e a nossa cultura mas muitos ignoram”, apontou esta ‘herdeira’ da doçaria tradicional angolana.

DYAS // VM – Lusa/Fim
23 de fevereiro de 2013. AFP PHOTO / SEYLLOU

23 de fevereiro de 2013. AFP PHOTO / SEYLLOU

Fotos: Bantumen

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