A ideia foi ontem defendida, durante o congresso Associação Internacional para a Investigação em Média e Comunicação (Iamcr), que está a decorrer na Universidade do Minho (UM), em Braga. “Não temos visto nenhum esforço para tirar proveito da Internet para promover o Português”, critica Rosental Alves, investigador brasileiro da Universidade do Texas, nos EUA, para quem as instituições dos países lusófonos deviam ter em conta o potencial de utilizadores das novas tecnologias de comunicação que falam a mesma língua.

Os meios de comunicação social de língua portuguesa têm que saber explorar a adesão dos falantes de Português à web

Os meios de comunicação social de língua portuguesa têm que saber explorar a adesão dos falantes de Português à web (Mario Anzuoni/Reuters)

 


 

Para este investigador, os meios de comunicação social de língua portuguesa têm que saber explorar a adesão dos falantes de Português à web, especialmente os 72 milhões de brasileiros. “Há mais norte-americanos do que britânicos a ler os sites dos jornais do Reino Unido. A audiência dos jornais espanhóis na América Latina também é enorme”, exemplifica Rosental Alves. “O ciberespaço é um novo terreno para o sonho da lusofonia. É uma oportunidade para criar uma rede virtual de cidadãos que sentem e falam em Português”, concorda Moisés Martins, presidente da Associação Portuguesa de Ciência da Comunicação, lembrando que 250 milhões de pessoas falam esta língua, o que faz desta a sexta mais falada no mundo. Na Internet é mesmo o quinto idioma com mais utilizadores e Rosental Alves recorda que o Português foi, até há bem pouco tempo, a segunda língua mais utilizada no Twitter, tendo sido entretanto ultrapassado pelo japonês.

Para Margarida Ledo, professora da Universidade de Santiago de Compostela, a forma ideal de a lusofonia conquistar o ciberespaço é através dos jovens. Além de serem os principais utilizadores das novas tecnologias da comunicação, “a geração da Internet está mais aberta à diversidade linguística dos que as anteriores”, aponta a investigadora galega. 

Ainda assim, a lusofonia não é ainda um conceito capaz de unir os habitantes dos países que têm o Português como língua, revela um estudo ontem divulgado por Margarida Ledo, realizado em Portugal, no Brasil e na Guiné-Bissau. “A maioria dos brasileiros não reconhece o termo lusofonia, os guineenses associam-no à época colonial”, aponta.

O congresso dedicou a sessão plenária do dia de ontem ao papel da comunicação na lusofonia. “Quisemos inscrever esta problemática na agenda da associação. É fundamental reconhecer as especificidades linguistas e culturais de todas as zonas do mundo e não só as anglo-saxónicas”, considera o presidente da comissão organizadora, Manuel Pinto. Uma visão com a qual concordou durante a sessão plenária o presidente da Confederação Ibero-Americana de Associações de Comunicação, José Marques de Melo: “Há uma hegemonia anglófona que funciona como uma barreira. O Brasil é o segundo país com mais participantes nos congressos da Iamcr, mas a maioria das suas comunicações são submetidas em inglês”.

 

Fonte: Público