Numa visita a Lisboa, em que manteve contactos com a Presidência da República e a agência para o comércio externo (AICEP), entre outras entidades, Rita Santos, secretária-geral adjunta do Fórum Macau,  adiantou à agência noticiosa portuguesa Lusa que a participação no fundo será aberta a outras instituições financeiras, além das da China.

Virado, por exemplo, para o desenvolvimento da indústria hotelaria ou construção civil em países africanos de língua portuguesa, os projectos serão analisados caso a caso e o Banco de Desenvolvimento da China “tem as portas abertas para aceitar outros bancos que queiram participar nesse fundo”, adiantou a responsável do Fórum Macau.

“Ainda não foi lançado porque é um mecanismo de financiamento novo e há procedimentos legais mas sê-lo-á em breve”, disse Rita Santos.

A responsável do Fórum Macau referiu também que o fundo não irá dedicar-se à concessão de crédito, mas sim à “participação no investimento”.

“É preciso o projecto estar ligado ao desenvolvimento económico e social de cada país”, para que a participação se efective, disse Rita Santos.

A criação de um “Fundo da Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa” foi inicialmente anunciada em 2010 pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, na conferência ministerial do Fórum Macau, estando aberto a projectos de agricultura e pecuária, turismo, infra-estruturas, comércio, educação e saúde, recursos naturais e serviços.

O Fundo poderá ser lançado na 4.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau, a ter lugar no terceiro trimestre deste ano, que servirá também para aprovação do plano de acção do Fórum para os próximos três anos, para o qual estão a ser recolhidas propostas dos países membros.

Recentemente, o embaixador de Cabo Verde na China, Júlio Morais, manifestou-se convicto de que a próxima reunião ministerial irá dar “nova dinâmica” à organização, destacando em particular a criação do fundo.

“Pensamos que esse fundo poderá dar uma nova dinâmica ao Fórum, criando pontes entre os sectores empresariais e é precisamente esse o desafio maior do fórum (…) Estamos no caminho certo, com uma boa dinâmica”, disse o diplomata à agência Lusa em Pequim.

Em Junho de 2012, no 8.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, na ilha do Sal (Cabo Verde), representantes do Banco de Desenvolvimento da China salientaram o seu conhecimento em termos de análise e de gestão dos projectos, com base na sua experiência no fundo de cooperação da China para África.

Para Marcelo D’Almeida, secretário-geral adjunto do Fórum Macau em representação dos países de língua portuguesa, isso “é já uma garantia para as empresas de um excelente apoio na estruturação dos projectos, a que acresce ainda a viabilidade económica do fundo para os projectos com incidência no programa definido por todos de forma clara e aberta”.

“Ter uma entidade e um país que coloca à disposição do grupo de países que integra o Fórum Macau uma verba tão significativa é abrir um leque de disponibilidade de desenvolvimento para aqueles que não têm capacidade de investimento directo dos Estados em si”, disse d´Almeida, citado pela Revista Macau.

“Macau é o centro difusor e aglutinador de todas estas sinergias, de todos estes encontros. Cada apresentação, promoção ou reunião que é feita e que junta os países que integram o Fórum é mais um passo, pequeno ou grande, mas é mais um passo, que contribui para unir e para reforçar laços de cooperação”, adiantou.

O Fórum está a celebrar o seu 10º aniversário, após uma contínua expansão das relações comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, grupo em que se inclui já o seu maior parceiro de trocas (Brasil) e o seu segundo fornecedor petrolífero (Angola).

Para Rita Santos, a nova fase de envolvimento da China no espaço de língua portuguesa faz-se da iniciativa privada que já está no terreno, nomeadamente na agricultura, mais do que de cooperação entre governos.

“Estamos agora na fase mais importante, de começar a incentivar os agentes económicos a lançarem iniciativas próprias, (…) não dependerem apenas de projectos discutidos entre governos”, referiu a responsável do Fórum. (macauhub)

 

FONTE: Macauhub

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