5 March 2021
O fundo de desenvolvimento para participação em projectos nos países de língua portuguesa, com uma dotação de mil milhões de dólares

Países de língua portuguesa terão “em breve” mil milhões de dólares para projectos de desenvolvimento

Numa visita a Lisboa, em que manteve contactos com a Presidência da República e a agência para o comércio externo (AICEP), entre outras entidades, Rita Santos, secretária-geral adjunta do Fórum Macau,  adiantou à agência noticiosa portuguesa Lusa que a participação no fundo será aberta a outras instituições financeiras, além das da China.

Virado, por exemplo, para o desenvolvimento da indústria hotelaria ou construção civil em países africanos de língua portuguesa, os projectos serão analisados caso a caso e o Banco de Desenvolvimento da China “tem as portas abertas para aceitar outros bancos que queiram participar nesse fundo”, adiantou a responsável do Fórum Macau.

“Ainda não foi lançado porque é um mecanismo de financiamento novo e há procedimentos legais mas sê-lo-á em breve”, disse Rita Santos.

A responsável do Fórum Macau referiu também que o fundo não irá dedicar-se à concessão de crédito, mas sim à “participação no investimento”.

“É preciso o projecto estar ligado ao desenvolvimento económico e social de cada país”, para que a participação se efective, disse Rita Santos.

A criação de um “Fundo da Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa” foi inicialmente anunciada em 2010 pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, na conferência ministerial do Fórum Macau, estando aberto a projectos de agricultura e pecuária, turismo, infra-estruturas, comércio, educação e saúde, recursos naturais e serviços.

O Fundo poderá ser lançado na 4.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau, a ter lugar no terceiro trimestre deste ano, que servirá também para aprovação do plano de acção do Fórum para os próximos três anos, para o qual estão a ser recolhidas propostas dos países membros.

Recentemente, o embaixador de Cabo Verde na China, Júlio Morais, manifestou-se convicto de que a próxima reunião ministerial irá dar “nova dinâmica” à organização, destacando em particular a criação do fundo.

“Pensamos que esse fundo poderá dar uma nova dinâmica ao Fórum, criando pontes entre os sectores empresariais e é precisamente esse o desafio maior do fórum (…) Estamos no caminho certo, com uma boa dinâmica”, disse o diplomata à agência Lusa em Pequim.

Em Junho de 2012, no 8.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, na ilha do Sal (Cabo Verde), representantes do Banco de Desenvolvimento da China salientaram o seu conhecimento em termos de análise e de gestão dos projectos, com base na sua experiência no fundo de cooperação da China para África.

Para Marcelo D’Almeida, secretário-geral adjunto do Fórum Macau em representação dos países de língua portuguesa, isso “é já uma garantia para as empresas de um excelente apoio na estruturação dos projectos, a que acresce ainda a viabilidade económica do fundo para os projectos com incidência no programa definido por todos de forma clara e aberta”.

“Ter uma entidade e um país que coloca à disposição do grupo de países que integra o Fórum Macau uma verba tão significativa é abrir um leque de disponibilidade de desenvolvimento para aqueles que não têm capacidade de investimento directo dos Estados em si”, disse d´Almeida, citado pela Revista Macau.

“Macau é o centro difusor e aglutinador de todas estas sinergias, de todos estes encontros. Cada apresentação, promoção ou reunião que é feita e que junta os países que integram o Fórum é mais um passo, pequeno ou grande, mas é mais um passo, que contribui para unir e para reforçar laços de cooperação”, adiantou.

O Fórum está a celebrar o seu 10º aniversário, após uma contínua expansão das relações comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, grupo em que se inclui já o seu maior parceiro de trocas (Brasil) e o seu segundo fornecedor petrolífero (Angola).

Para Rita Santos, a nova fase de envolvimento da China no espaço de língua portuguesa faz-se da iniciativa privada que já está no terreno, nomeadamente na agricultura, mais do que de cooperação entre governos.

“Estamos agora na fase mais importante, de começar a incentivar os agentes económicos a lançarem iniciativas próprias, (…) não dependerem apenas de projectos discutidos entre governos”, referiu a responsável do Fórum. (macauhub)

 

FONTE: Macauhub

Também poderá gostar

Sem comentários