Sob o lema ‘O Pan-africanismo e a Renascença Africana’, os 50 anos da criação da Organização da Unidade Africana (OUA), assinalados juntamente com o 39.º aniversário da fundação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi momento para o vice-presidente do parlamento, Júlio Correia, reconhecer que o propósito inicial da criação da OUA, de libertação do colonialismo e do apartheid foi cumprido.

Ao admitir que a marcha rumo ao progresso dos povos africanos continua, destacou o facto de a África estar a ser uma exceção.

“Neste mundo em profunda crise económica e financeira, graças aos sinais reais de progresso e um crescimento que se quer consistente, devido ao seu potencial, África deve aproveitar a vaga e avançar com projetos verdadeiramente estruturantes de forma a garantir que este desenvolvimento seja duradouro”, realçou.

No entender do vice-presidente do parlamento, da agenda africana para o horizonte de 2063, que está a ser preparada na Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo que decorre, até segunda-feira, 27, em Adis Abeba (Etiópia), deverão constar como metas ainda a atingir a estabilidade, a boa governação, o desenvolvimento sustentado, a equidade social e os direitos humanos.

Paralelamente, lembrou o deputado, no horizonte de 2050, a “África estará desafiada a, para além de assegurar a sua segurança e soberania alimentar, aproveitar as suas enormes potencialidades agrícolas para fornecer alimentos para o resto do mundo”, que terá então nove mil milhões de pessoas.

Júlio Correia saudou também o 39.º aniversário da CEDEAO, 28 de Maio, realçando que a presença de deputados cabo-verdianos no parlamento da Comunidade constitui “uma via essencial para o processo de integração de Cabo Verde na sub-região”.

Para o deputado Jorge Santos da bancada do Movimento para a Democracia (MpD – oposição), a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje União Africana, desde 2002, foi um marco para o continente, “uma referência de ouro” e motivo de regozijo para todos os africanos.

Jorge Santos afirmou que o lema ‘O Pan-africanismo e a renascença Africana’, adotado para assinalar os 50 anos da OUA deve ser fonte de inspiração para um “percurso de renovação, capaz de promover um incremento do desenvolvimento e do crescimento sustentável, em democracia e com mais e melhores direitos humanos” nos Estados africanos.

Na sua opinião, cabe aos jovens africanos construir uma África próspera e com uma gestão rigorosa e responsável dos seus recursos naturais, culturais e humanos como alavancas para a promoção de uma paz e estabilidade duradouras.

Por seu lado, o líder da bancada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), José Manuel Andrade, admitiu que o continente precisa “alargar e incentivar a parceria para o desenvolvimento e criar uma plataforma para uma convergência entre os diversos países e povos”.

Ao realçar a importância estratégica da África e o engajamento nacional por uma maior proximidade ao continente, José Manuel Andrade afiançou que Cabo Verde deve assumir a sua vocação no sistema de segurança no Atlântico Médio e, porque não, na costa ocidental como “gateway to África” e “gateway from Africa”.

Paralelamente, disse, o país deverá investir na crescente afirmação da africanidade crioula, tanto no contexto regional como global, e ser um membro ativo na União Africana e na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que comemora no dia 28 os 38 anos da sua criação.

A OUA foi fundada a 25 de Maio de 1963, em Adis Abeba, por 32 países africanos então independentes. Em 2002, foi substituída pela União Africana.

CLI // MSF – Lusa/Fim.

Foto: Bandeira da OUA, Organização de Unidade Africana ou União Africana, em Bissau a 12 de Março de 2009. TIAGO PETINGA / LUSA

 

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