1 March 2021
Um exemplar da primeira edição de "Os Lusíadas" faz parte do espólio do Ateneu Comercial do Porto, conhecida por edição princeps, (1572), Porto, 11 de Dezembro de 2009. JOAO ABREU MIRANDA / LUSA

“Os Lusíadas” ganham nova edição com “a tipografia como caracterização do livro”

Coimbra, 23 fev (Lusa) – Uma nova edição de “Os Lusíadas” é lançada a 31 de março, sem ilustrações e focado num tratamento gráfico e tipográfico da obra, mantendo a grafia original, num projeto organizado pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

A edição da obra de Luís de Camões é coordenada pelos docentes António Olaio e Rita Marnoto, da direção do Colégio das Artes (CAUC) da Universidade de Coimbra, e conta com design do ateliê FBA e distribuição da editora Almedina, sendo um projeto que usa a “tipografia como forma de caracterização do livro”, explanou António Olaio.

A obra surgiu a partir de “uma ideia quase de arte conceptual, de fazer um livro como objeto, fazendo-o ressurgir” através de um trabalho centrado no “afinamento” da tipografia, disse à agência Lusa o também artista plástico, que falava à margem da apresentação da Semana Cultural da Universidade de Coimbra – evento onde está integrado o lançamento do livro.

Os_LusíadasSegundo António Olaio, há um “ressurgimento do livro”, que “não é uma afirmação óbvia de uma atualidade plástica, nem é um ‘fac-símile'”.

O artista plástico e diretor da CAUC aclarou que “a atitude da FBA não foi de brincar plasticamente com a tipografia”, para não cair “no perigo de ser uma atitude iconoclasta”, optando antes por um trabalho de “afinamento de tipografia, com uma delicadeza muito grande”.

A fonte utilizada, sublinha, “é nova”, mas baseada e inspirada na “leitura de fontes renascentistas”, sendo que houve um “trabalho muito complexo de elaboração” da fonte.

“É um livro que também celebra a ideia de livro e a dimensão portátil dos livros”, frisou.

António Olaio referiu ainda que se optou por editar o livro “com a grafia da primeira edição”, publicada originalmente em 1572, por considerar que, “talvez, [se saiba] melhor qual a grafia da primeira edição do que a atual, apesar das variações que possa haver no português da época”.

O livro é publicado pela editora Almedina, sediada em Coimbra, havendo a possibilidade de ser distribuído no Brasil, informou.

O lançamento realiza-se a 31 de março, pelas 18:00, no Colégio das Artes, uma unidade orgânica da Universidade de Coimbra que trabalha no campo da arte contemporânea, relacionando-se com a arquitetura, o cinema e as artes performativas.

 

JYGA // MAG – Lusa/Fim

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