2 March 2021
Escritor caboverdiano, Germano de Almeida no seu escritório na cidade do Mindelo, Cabo Verde. FOTO FRANCISCO FONTES / LUSA

“Os dois Irmãos” de Germano Almeida no cinema

Praia, 24 jan (Lusa) – O livro “Os dois Irmãos”, do escritor cabo-verdiano Germano Almeida, vai ser adaptado ao cinema, numa coprodução luso-cabo-verdiana, com participação exclusiva de atores do arquipélago e que visa projetar o cinema e o audiovisual do país.

O acordo de parceria para a produção do filme “Os dois irmãos” foi assinado hoje pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, e o produtor cinematográfico português e sócio gerente da TAKE 2000-Produções, José Mazeda.

Com o acordo, a TAKE 2000 inicia em março as filmagens, que terão como cenário o concelho de Santa Catarina de Santiago, interior da ilha de Santiago, e participação exclusiva de atores cabo-verdianos.

Segundo o produtor José Mazeda, a ideia de incluir somente atores cabo-verdianos, e mais de metade da equipa local, é uma forma de seguir o que é natural e de o país potenciar a sua música, as paisagens e formar atores.

Considerando que o filme vai abrir o apetite aos festivais e aos atores internacionais, por ser uma realidade nova, o produtor adiantou que a distribuição será feita em todo o mundo.

A TAKE 2000-Produções de Filmes Lda. é uma empresa com vasta experiência em produção cinematográfica, que iniciou a atividade em fevereiro de 2000.

O realizador português Francisco Manso disse que o filme vai abrir “perspetivas muito interessantes” pelo facto de os atores serem todos cabo-verdianos, bem como potenciar o circuito entre Cabo Verde e Portugal e também entre toda a comunidade de língua portuguesa.

Francisco Manso, que há 20 anos adaptou o livro “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo” ao cinema, também do escritor Germano Almeida, disse que outro “passo interessante” do filme será o retorno financeiro para Cabo Verde.

Considerando que o livro tem condições para dar um “bom filme”, Germano Almeida disse que lhe agrada o facto de ter apenas participação de atores cabo-verdianos e que será um investimento que terá retornos no futuro para o país.

O ministro Abraão Vicente disse que o filme vai projetar várias áreas, como a literatura, a representação/teatro e a música cabo-verdiana, em que a banda sonora será conduzida pelo músico Tito Paris.

O governante destacou também os empregos diretos que serão criados, dizendo que todos os atores e técnicos serão treinados e remunerados durante a produção do filme.

Também apontou a dinâmica que será criada na cidade de Assomada, a nível de serviços, turismo, transporte, informando que a TAKE 2000 vai investir 15 mil euros por semana para as filmagens durante um mês e meio no maior centro urbano do interior da ilha de Santiago.

Abraão Vicente acrescentou que o filme, que deverá ficar pronto ainda este ano, será inscrito nos maiores festivais mundiais e será uma forma de “dar o salto e projetar” o país, que terá um retorno financeiro de 25% de 22 milhões de escudos (200 mil euros) investidos pelo Governo.

O filme, que terá como protagonista Flávio Hamilton, o mais consagrado ator cabo-verdiano, residente em Portugal, terá um custo de um milhão e 200 mil euros.

“Com este projeto, damos início a uma nova visão no campo do audiovisual. Exploramos não só as potencialidades dos nossos atores, mas de Cabo Verde ser visto como paisagem de eleição para rodagem de filmes internacionais”, salientou o ministro.

Indicando que o Governo vai ter um fundo fixo para se investir no audiovisual, Abraão Vicente informou também que o Executivo vai apresentar um pacote legislativo que crie incentivos e isenções alfandegárias para atrair grandes produtoras internacionais a Cabo Verde.

RYPE // EL – Lusa/Fim

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