Lisboa, 30 jun (Lusa) – A Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau anunciou hoje estar a acompanhar com “bastante preocupação” a suspensão das atividades da Lusa, RTP e RDP, alertando que este “silenciamento” pode estar relacionado com a entrada de outros ‘media’ no país.

“A Ordem está a acompanhar a situação com bastante preocupação”, afirmou à Lusa o bastonário, António Nhaga, referindo que na agência de notícias portuguesa, na RTP e na RDP trabalham jornalistas e outros profissionais guineenses e advertindo para a eventual perda do posto de trabalho e das consequências para eles e respetivas famílias.

O ministro da Comunicação Social guineense anunciou hoje a suspensão das atividades da RTP, da RDP e da agência Lusa na Guiné-Bissau, alegando a caducidade do acordo de cooperação no setor da comunicação social assinado entre Lisboa e Bissau.

António Nhaga disse esperar que o Governo de Bissau “tenha atenção no processo negocial se é que vai negociar”, para a situação ser restabelecida rapidamente, alertando que nenhum órgão de comunicação social da Guiné-Bissau, incluindo a rádio e televisão públicas, está em condições de “oferecer serviço público de qualidade”.

A este propósito assinalou que a televisão guineense não cobre todo o país.

“A nossa comunidade aí, a nossa diáspora, também consegue ter informações da Guiné-Bissau através desses órgãos de comunicação portugueses”, declarou, salientando, também, as consequências desta decisão para as comunidades imigrantes.

A este propósito notou, igualmente, que a televisão púbica de Bissau não chega a Portugal, aos Estados Unidos nem ao Senegal, “aqui ao lado”.

“E toda a nossa diáspora guineense consegue ter a informação sobre a Guiné-Bissau, formar a sua opinião sobre a Guiné através da agência Lusa, RDP E RTP/África”, adiantou, insistindo que os ‘media’ do país não têm condições para fazer chegar a informação à diáspora guineense e isto é um “problema enorme”.

Para o bastonário da Ordem dos Jornalistas, “o Estado tem responsabilidade nisso” e “em dar informação ao cidadão”, sublinhando que “quem fazia esse serviço era a RDP, RTP/África e agência Lusa”.

“Começou a dizer-se que iam trazer outros órgãos estrangeiros. Nós hoje estamos em crer que provavelmente esse é o caminho que eles estão a procurar, agora com o silenciamento de órgãos de comunicação social portugueses”, declarou, para acrescentar que “está aqui um indício”.

Por outro lado, “parece que a imprensa portuguesa não quer ser bem vista por alguém”, opinou.

“Esperamos que haja bom senso nisto, senão o prejuízo é nosso, pessoas que vão perder o emprego e isso preocupa-nos”, declarou, para acrescentar que com o “encerramento” destes órgãos no país “fecha um canal de imagem da Guiné para fora”, para perguntar: “Se fecham esses canais, o que é que vai acontecer?”.

A Guiné-Bissau tem vivido uma situação de crise institucional desde as últimas eleições, com um afastamento entre o partido vencedor das legislativas e o Presidente da República, também eleito.

O atual governo não tem o apoio do partido que ganhou as eleições com maioria absoluta e este impasse político tem levado vários países, entre os quais Portugal, e instituições internacionais a apelarem a um consenso.

SR // EL – Lusa/Fim

 

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