A linguista, que falava aos jornalistas após um encontro com o presidente do Parlamento cabo-verdiano, Basílio Mosso Ramos, indicou que apesar de haver vontade política para tomar as melhores decisões sobre a matéria, os políticos querem dar o passo em sintonia com a sociedade.

“Os políticos sentem que a sociedade cabo-verdiana ainda tem dúvidas sobre a oficialização do crioulo e hesitam em tomar a decisão. Por isso, precisamos trabalhar com a sociedade no sentido de esclarecer as dúvidas que eventualmente existem para se chegar a uma melhor compreensão e aceitação”, defendeu.

Amália Lopes, também presidente da Comissão Nacional para as Línguas (CNL), órgão consultivo do Governo para a política linguística nacional e internacional, considerou que muitas pessoas têm “alguma dificuldade em aceitar a oficialização do crioulo” porque têm dúvida sobre qual a variante que vai ser a norma padrão.

“Esta é uma questão fundamental a esclarecer. A língua materna pode ser oficializada sem que nenhuma variante seja erigida como norma. E, sendo oficializada, abre o caminho para que, de facto, se estude e se tome alguma posição acerca da padronização”, entendeu a especialista.

A oficialização do crioulo cabo-verdiano está dependente de uma revisão constitucional que mude o artigo 9.º da Constituição da República, visando conferir à língua materna cabo-verdiana o mesmo tratamento que o português.

A proposta já foi levada ao Parlamento cabo-verdiano pelo Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, que sustenta o Governo), mas foi chumbada pela União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) e com a abstenção do Movimento para a Democracia (MpD).

As duas forças políticas da oposição cabo-verdiana consideraram que não estavam criadas as condições para a oficialização do crioulo e para uma paridade com o português, sugerindo a realização de estudos aprofundados sobre a matéria, no sentido de contribuir para a coesão nacional.

Já o PAICV entendeu que, primeiro, deve tomar-se a decisão de oficializar o crioulo, para, depois, continuar a trabalhar na criação das condições para dar sustentação à medida.

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Fotos:

– Dra. Amália Lopes com o Diretor-Executivo, Dr. Gilvan Müller de Oliveira,

– Um habitante passeia de bicicleta, numa rua da cidade do Mindelo, Cabo Verde 03 dezembro de 2012. ANTÓNIO COTRIM/LUSA