7 March 2021
O escritor Mia Couto discursa durante a cerimónia em que foi agraciado com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade Pedagógica, Maputo, 2 de setembro de 2015. ANTÓNIO SILVA/LUSA

Obra de Lucílio Manjate revelou “cunho mais ousado” e “inteligência”

… a poesia é absolutamente dominante em Moçambique e a nova geração prossegue essa tradição…

Lisboa, 13 mar (Lusa) – O escritor Mia Couto, que presidiu ao júri da primeira edição do Prémio Literário Eduardo Costley-White, realçou hoje o “cunho mais ousado” e a “inteligência” do romance “Rabhia”, de Lucílio Manjate, que o levou a arrecadar o galardão.

“Há aqui um cunho mais ousado, e o uso de uma inteligência neste livro, que faz de uma história aparentemente policial, a natureza da escrita sugere uma história policial, mas o que ele faz é percorrer aquilo que são as entranhas de uma sociedade como é a moçambicana, mas que podia ser do mundo inteiro”, afirmou Mia Couto.

Referindo-se ao livro, Mia Couto afirmou: “Há ali uma história que é profundamente humana, que é contada de uma maneira muito, muito original, a originalidade e aquilo que é uma escrita de caráter único, foi o que nos ajudou a distinguir” a obra.

Para o escritor, o grande destaque é esta obra apresentar “uma escrita de rutura, uma forma nova”.

Mia Couto afirmou que a “poesia é absolutamente dominante em Moçambique e a nova geração prossegue essa tradição, mas este livro é diferente”.

“Foi surpreende um jovem com esta qualidade, por via da prosa, já não fala dos temas que são constantes e mais saturados da literatura moçambicana”, declarou Mia Couto.

Na entrega do galardão, hoje na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), a professora catedrática Ana Oliveira, que fez parte do júri, em representação das Edições Esgotadas, que vão publicar “Rabhia”, referiu-se a Lucílio Manjate, de 32 anos, como “um poeta obcecado pela palavra ao detalhe” e disse que “Moçambique está todo refletido” nesta obra.

NL // TDI

Lusa/Fim

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