8 March 2021
Ao fim de quatro anos em Pequim, a professora brasileira Tarsila Borges conclui que “o português virou moda na China”.

“O português virou moda na China”

Pequim, 02 abr (Lusa) – “Ao contrário do inglês, espanhol ou francês, que são ensinadas há muito na China, o português aparece como uma língua nova e que é falada em vários países, o que não acontece com o italiano ou o alemão”, diz à Agência Lusa Tarsila Borges.

O desenvolvimento das relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, “sobretudo Angola, Brasil e Portugal” é outro “atrativo” para aprender português.
“E o BRICS também deu mais projeção ao Brasil e à língua portuguesa”, acrescenta.
A professora refere-se ao grupo de economias emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China (que vai passar também a integrar a África do Sul), cuja próxima cimeira anual decorrerá na China, em meados de abril.
Tarsila Borges, 30 anos, formada em Letras pela Universidade de São Paulo, chegou à China em 2006, com uma bolsa para aprender chinês: “Dava aulas de português e de inglês, mas estava a terminar o mestrado e queria aprender outra língua, de preferência asiática”.
No ano seguinte, foi contratada para ensinar português no recem-criado Núcleo da Cultura Brasileira da Beida, a mais antiga universidade de Pequim.
Em toda a China continental havia então quatro universidades com licenciaturas em português: hoje, só em Pequim há seis e segundo estimativas do Serviço Cultural da embaixada de Portugal, o número global de alunos quintuplicou, “para mais de mil”.
O ensino privado também tem prosperado, na capital e outras cidades: “Uma professora chinesa que morou mais de vinte anos no Brasil já abriu uma escola em Pequim e outra em Xangai. Não há dúvida: o português virou moda”, diz Tarsila Borges.
Duas outras universidades de Pequim têm professores brasileiros, e em Wuhan e Shijiazhuang também se aprende a falar português com sotaque brasileiro: “Para os chineses, a pronúncia brasileira é mais fácil que a portuguesa”.
Tarsila Borges termina o contrato no final deste ano letivo, quando dez estudantes concluírem a primeira licenciatura de português da Beida, e a seguir tenciona fazer um doutoramento na área da “literatura comparada”, sobre o romancista Lao She (1899-1966) e um autor brasileiro.
Antes de embarcar para a China, Tarsila Borges nunca tinha saído do seu país: “Saí do Brasil para atravessar o mundo”.
Mais de quatro anos depois, reconhece que “o Brasil faz parte dos países com um futuro brilhante”, mas não tenciona regressar tão cedo: “Vou ficar aqui”.
Como a língua portuguesa, também a China parece estar na moda.
AC.

 

 

FONTE: Lusa

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