9 March 2021

O português que ligou Lisboa a Lifau, de mota, em 84 dias e 27.700 quilómetros

Lifau, Timor-Leste, 28 nov (Lusa) – Rui Correia completou hoje no enclave timorense de Oecusse, a sua maior aventura de vida: 27.700 quilómetros em 84 dias, de moto entre Guimarães, o berço de Portugal e Lifau, o berço de Timor-Leste.

Uma viagem com maiores desafios do que o próprio esperava, entre burocracias, dificuldades no acesso a alguns países, como o Paquistão, trânsito intenso na India e chuvadas em Samatra, na Indonésia.

“Não estava à espera. Muito embora tivesse planeado a viagem há algum tempo atrás, saiu-me mais difícil e complicado do que poderia imaginar. Muitos obstáculos de todo o tipo, burocracia e dificuldades do terreno”, afirmou.

“27.700 quilómetros desde Guimarães, a 06 de setembro, até Lifau”, disse em entrevista à Lusa.

Entre os percursos mais complicados estiveram os cerca de 1.200 quilómetros quase todos no deserto, na região do Baluchistão, a maior província do Paquistão e que inclui uma zona disputada com o Irão.

Caravela Timor-Leste (3)
Rui Correia explicou que viajou sempre sob escolta de efetivos de segurança, à civil, com kalashnikovs, que o obrigavam a pernoitar em esquadras da polícia, ao lado dos presos e de onde não podia sair até ao dia seguinte.

Ainda assim, e depois de 20 países – Timor-Leste foi o 20.º, onde entrou hoje, vindo da capital de Timor Ocidental, Cupão, – Rui Correia insistiu que valeu a pena.

“Valeu muito a pena. A experiência é incrível, inacreditável, algo que fica para sempre na memória, que não se consegue transmitir e que calou fundo em mim e que nunca esquecerei”, admitiu.

Ligado há vários anos à questão de Timor-Leste, fez parte da missão do Lusitânia Expresso, Rui Correia reconheceu que, por isso, a viagem teve ainda mais significado.

“Vivo muito intensamente a história. Para mim, tem imenso significado. A minha relação com Timor é uma relação longa. Desde 1987 que militei com a causa timorense. Vou continuar por cá. Esta é a minha segunda casa”, disse.

Num país como Timor-Leste, onde as motorizadas são quase parte da identidade – para muitas famílias são o único veículo pessoal e as competições de motocross são regulares – a viagem de Rui Correia suscitou um interesse particular.

Por isso hoje, à frente do monumento em Lifau – onde nasceu Timor-Leste há 500 anos – e que assinala os cinco séculos de contactos entre portugueses e timorenses, inaugurado na sexta-feira e onde hoje falou à Lusa, Rui Correia foi solicitado a dezenas de fotografias.

“Veio sozinho? Quanto tempo demora?”, perguntou que repetiam, em português e inglês olhando para o condutor e para a mota, decorada com duas bandeiras, de Timor-Leste e Portugal e um mapa do longo percurso que Rui Gomes conseguiu cumprir.

A viagem de Rui Correia, na prática, só termina no domingo: viajará com um grupo de timorenses, de mota, entre Lifau e Díli, unindo assim o que foram as duas capitais timorenses.

“Agora já é fácil, estou em casa”, disse.

Caravela TimorASP // ZO – Lusa/Fim

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