5 March 2021
Há dois dossiês que mostram uma grande desatenção e abdicação das autoridades portuguesas: o Euronews em Português e a Patente Unitária Europeia. (Entrevista de José Ribeiro e Castro ao JL, 18-set-2013)

O Português como língua global

O Euronews em Português esteve em risco de acabar, o que seria uma martelada fatal nas nossas aspirações.

Porque tem um grande valor simbólico Seria um desastre se o canal europeu de notícias, que já é transmitido em 12 ou 13 línguas, deixasse de o ser em Português. (…)

Conseguimos o mais difícil, que durante mais dois anos ficasse garantida a emissão Euronews em Português, mas não demos a justificação (o que seria fácil, era uma questão de um parágrafo) da medida mais acertada. Devia ter sido enaltecida a importância global do Português (…). Não houve fôlego na fase final, quando era preciso fazer pressão junto à baliza para meter golo. A diplomacia portuguesa não teve atitude.

 

Relativamente à patente unitária europeia, há uma abdicação total das autoridades portuguesas. Começou no governo anterior, mas continua.

Foi consagrado no registo europeu de patentes um regime privilegiado para três línguas: o Inglês, o Francês e o Alemão. Podemos chamar o regime de Munique A Espanha e a Itália resistiram, levaram o caso a tribunal.

Portugal abdicou, apesar da luta travada no Parlamento, sobretudo pelo CDS e pelo PCP. Houve uma manipulação para fazer passar um regime com uma violação grosseira do regime linguístico dos próprios tratados. Esperaria que, tendo mudado o governo, o dossiê pudesse ser reaberto, e acompanhássemos a ação espanhola, mas tal não aconteceu.

É uma situação que pode ser perversa a longo prazo: desqualificar o Português como língua de ciência e técnica.

Para uma língua ser global tem de ser total: de uso quotidiano, de literatura, de cultura de universidade e também de ciência e tecnologia. Além disso o mecanismo de tradução das patentes para Português é uma forma corrente de atualização da língua.

O Português como língua global | entrevista de José Ribeiro e Castro ao JL, 18-set-2013

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