Estas crónicas, entre muitas outras excluídas do formato livro ou, simplesmente, retidas ainda numa zona de hesitação entre publicar e não publicar, foram transcorrendo ao longo dos dias, ao longo de anos, ao longo dos tempos de ofício de jornalista. Umas acionadas por factos, considerados, por uma ou outra razão, relevantes e dignos de registo, outras filhas ‘’apenas’’ de reflexões íntimas, subterrâneas congeminações, (in)frutíferas meditações, fundas palpitações. Elas aí estão, finalmente, em páginas cronologicamente anichadas.

O texto dramático intitulado ”Um Confronto Imaginado e uma Profecia”, vencedor da I Edição do Prémio de Literatura Dramática Isaura Carvalho, ficciona um episódio real ocorrido antes do massacre de 1953, quando o então governador Carlos de Sousa Gorgulho foi à casa do engenheiro agrónomo e nacionalista Salustino Graça, considerado o líder dos forros, para o convencer a persuadir os filhos da terra a aceitarem o contrato nas roças do cacau e nas obras públicas, baseadas em trabalhos forçados. Esse propósito do governador chocou com a oposição em bloco dos forros e Salustino Graça colocou-se do lado destes, mantendo uma posição firmemente antagónica à do governador.

 

O texto é uma sequência de argumentos e contra-argumentos acesos entre as duas personagens. Os dois são praticamente os únicos protagonistas da peça que termina com o engenheiro Salustino Graça a profetizar o massacre que viria a ter lugar em 1953, a proclamação da independência e também o rumo do país até aos dias actuais.

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Conceição Lima

Conceição Lima nasceu em Santana, na ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe, a 8 de Dezembro de 1961. Jornalista, poetisa e cronista. Foi durante longos anos jornalista e produtora dos Serviços em Língua Portuguesa da BBC, em Londres. É licenciada em Estudos Africanos, Portugueses e Brasileiros pelo King's College of London e possui o grau de Mestre em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas na África subsaariana, pela School of Oriental and African Studies, SOAS, Londres. Pela Editorial Caminho, de Lisboa, publicou O Útero da Casa (2004), A Dolorosa Raiz do Micondó (1ª edição 2006, 2ª edição 2008) e O País de Akendenguê (2011). Em 2015, em edição de autor, publicou Quando Florirem Salambás no Tecto do Pico. Está traduzida para o alemão, árabe, checo, espanhol, francês, galego, inglês, italiano, servo-croata e turco.
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