28 February 2021
A questão é uma das que o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai analisar com o diretor executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Gilvan de Oliveira, numa reunião agendada para terça-feira na sede da instituição.

O IILP está com muitas dificuldades, sobretudo financeiras e burocráticas.

O secretário executivo da CPLP admitiu hoje à agência Lusa que o instituto que promove o idioma de Camões, com sede em Cabo Verde, está com “muitas dificuldades” financeiras e burocráticas devido ao Brasil.

Murade Murargy falava à agência Lusa na Cidade da Praia momentos depois de chegar a Cabo Verde, oriundo da Guiné-Bissau, para uma visita oficial de três dias a convite do primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, e aludia à situação de impasse em que vive o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).

“O IILP está com muitas dificuldades, sobretudo financeiras e burocráticas. Um dos maiores contribuintes, o Brasil, ainda não pagou a sua contribuição e não aprovou o orçamento, deixando o instituto num sufoco financeiro”, disse, lembrando que a maioria dos restantes membros da CPLP já cumpriu com as obrigações financeiras.

A questão é uma das que o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai analisar com o diretor executivo do IILP, Gilvan de Oliveira, numa reunião agendada para terça-feira na sede da instituição.

Murargy, cuja visita oficial a Cabo Verde começa na segunda-feira, indicou à Lusa que, na Cidade da Praia, irá analisar com as autoridades cabo-verdianas vários aspetos ligados à atividade da organização, cujo objetivo, defendeu, deve ser repensado, bem como os relacionados com a crise político-militar na Guiné-Bissau e a adesão da Guiné Equatorial à CPLP.

Sobre a adesão da Guiné Equatorial, Murargy referiu que esteve recentemente em Malabo, onde conversou com as autoridades locais sobre a proposta, lembrando que, aos poucos, a Guiné Equatorial está a cumprir o estabelecido, dando como exemplo a oficialização da Língua Portuguesa e a abertura de uma embaixada em Lisboa.

A Guiné Equatorial, cujo Parlamento foi dissolvido na semana passada, vai realizar eleições legislativas em maio próximo, pelo que o assunto voltará a ser abordado na reunião de julho do Conselho de Ministros da CPLP, em Maputo, acrescentou, sem avançar mais pormenores sobre o estado do processo de adesão.

O moçambicano que substituiu à frente da CPLP o guineense Domingos Simões Pereira em 2012, questionado pela Lusa sobre a situação na Guiné-Bissau, onde esteve nos últimos dias, admitiu tratar-se de um processo “difícil e complexo”, embora se esteja a caminhar para a conclusão de um Pacto de Regime e de um Roteiro de Paz.

“Reuni-me com as autoridades guineenses e com muitas personalidades locais e começou-se a trabalhar para o Pacto de Regime e para o Roteiro de Paz, para que haja um futuro Governo inclusivo para preparar as eleições” previstas para antes do final do ano, sublinhou Murargy.

Sobre a vinda a Cabo Verde, que surgiu a convite do chefe do executivo cabo-verdiano, Murargy salientou ser a primeira vez que está no arquipélago e que pretende refletir com as autoridades locais o futuro da CPLP, para que a organização “não fique colada” à imagem de mais uma instituição internacional.

Indicando tratar-se de uma ideia que surgiu numa conversa recente com o chefe da diplomacia cabo-verdiana, Jorge Borges, o secretário executivo da CPLP salientou a importância de Cabo Verde na reflexão, pois trata-se de um país “com um bom prestígio internacional”, já de rendimento médio e com uma “boa governação”.

Na Cidade da Praia, de onde parte para Lisboa na noite de 05 de abril, Murargy será recebido em audiências pelo Chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, o presidente do Parlamento, Basílio Ramos, e o primeiro-ministro, José Maria Neves, proferindo, no último dia, uma palestra subordinada ao tema “Repensar a CPLP”.

Durante a estada no arquipélago, o secretário executivo da CPLP terá também encontros de trabalho com Jorge Borges e com as ministras cabo-verdianas da Educação e Desporto, Fernanda Marques, e Desenvolvimento Rural, Eva Ortet, para analisar a questão da segurança alimentar e nutricional, “transversal à saúde e educação”.

No programa oficial estão ainda previstas visitas à Fundação Amílcar Cabral, presidida pelo ex-Chefe de Estado cabo-verdiano Pedro Pires e com sede na Cidade da Praia, e ao Centro de Formação Médica Especializada (CFME-CPLP).

A 04 e 05 de abril, já fora da esfera oficial, Murargy participa, ainda na Cidade da Praia, na Conferência Luso-Francófona de Saúde (COLUFRAS), que congrega um crescente número de instituições, associações e profissionais da saúde dos países francófonos e lusófonos, principalmente do Brasil e do Canadá.

 

JSD // JLG – Lusa/Fim

Foo: O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixador moçambicano Murade Murargy (E), 17 de fevereiro de 2013. ANTÓNIO AMARAL/LUSA

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