Lisboa, 27 nov 2019 (Lusa) – O economista guineense Carlos Lopes disse hoje que os dois candidatos que vão disputar a segunda volta das Presidenciais na Guiné-Bissau devem fazer um esforço para ter um apelo nacional e não um apelo étnico, religioso e regional.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições, Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau.

Domingos Simões Pereira foi o candidato que obteve maior percentagem de votos, 40,13%, enquanto Umaro Sissoco Embalo obteve 27,65% dos votos.

Os resultados não surpreenderam Carlos Lopes que enalteceu e felicitou “o civismo demonstrado pelos guineenses e um pouco em contradição com o ambiente de alguma hostilidade da parte de uma camada de candidatos presentes que utilizaram um discurso de ódio e de hostilidade e desqualificação dos oponentes”.

“A Guiné Bissau viveu durante bastante tempo uma crise intensa e precisa de transformação. Os guineenses demonstraram que havia um comportamento cível que eu espero que se reproduza também na segunda volta”, prosseguiu o antigo assessor de Kofi Annan nas Nações Unidas, que atualmente leciona na África do Sul.

Segundo o académico, “do ponto de vista da matemática eleitoral era difícil que qualquer dos candidatos pudesse alcançar a vitória na primeira volta, tendo em conta os partidos que os apoiam e tendo por base o cálculo das últimas legislativas”.

Em relação à segunda volta, Carlos Lopes disse que os dois candidatos “têm de fazer um esforço para ter um apelo nacional e não um apelo étnico, religioso, regional”.

E acrescentou: “Têm de ter um discurso pacífico e preponente”.

Assumido apoiante de Domingos Simões Pereira, por considerar que este “tem um projeto com cabeça, tronco e membros”, O economista referiu que a Guiné-Bissau tem atualmente “características de um estado que não consegue fazer aquilo que chamamos de reprodução económica normal, precisa de muletas.

Para sair desta situação, prosseguiu, é preciso “uma proposta de transformação do país que tenha reflexo nas instituições da República, entre as quais a Presidência da República”.

A taxa de abstenção destas eleições, que se realizaram domingo, foi a mais elevada desde, pelo menos, 2005, situando-se nos 25,63%.

O Presidente cessante, José Mário Vaz, falhou a reeleição, sendo o quarto mais votado, com 12,41% dos votos.

O ex-chefe de Estado ficou atrás do candidato apoiado pela Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) e pelo Partido da Renovação Social (PRS), Nuno Nabian, que conseguiu 13,16% dos votos.

Em quinto lugar ficou o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que conseguiu 2,66%, seguido de Baciro Djá, com 1,28%.

Os restantes seis candidatos ficaram abaixo de 1%: Vicente Fernandes (0,77%), Mamadu Iaia Djaló (0,51%), Idriça Djaló (0,46%), Mutaro Intai Djabi (0,43%), Gabriel Fernando Indi (0,36%) e António Afonso Té (0,19%).

Segundo o cronograma eleitoral para as eleições presidenciais da Comissão Nacional de Eleições, a segunda volta vai realizar-se em 29 de dezembro.

SMM (MSE) // PJA – Lusa/Fim
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