Texto de Mané do café, Lisboa, março de 2004
Dedicado ao Embaixador da Língua João Augusto de Médicis

Nesse gracioso ano, Timor Lorosae viu a sua Seleção Nacional de Futebol classificada para a Copa Asiática. A equipa, que tão bem se comportara na fase de apuramento, ficou desfalcada. Sentindo que não teria hipóteses contra os poderosos Japão e Coreia, já unificada e contra a coqueluche asiática, o Camboja, revelação do torneio, Timor pediu que Portugal vestisse a camisola da sua seleção, aproveitando-se das regalias conseguidas pela CPLP.

Portugal ponderou e viu a possibilidade de tirar uns dividendos económicos principalmente na importação do café da região, tão ao gosto dos portugueses e que ainda estava nas mãos do americano. O problema é que Portugal estava apurado para a fase final do Europeu, com boa cotação. O povo assustou-se com a possibilidade de ser representado pela Seleção B que não inspirava confiança, mas viu com bons olhos a substituição poder ser feita pela Seleção Canarinha do Brasil, que aceitou de chofre o convite. Nem pestanejou, pois seria a oportunidade de disputar o campeonato tido como de maior grau de dificuldade. Maior até que o da Copa do Mundo.

O Brasil estava com a mesma deficiência de Portugal para formar uma boa equipa B para representá-lo na Copa América. Solicitou a Angola que estava com uma esquadra de fazer inveja classificada em primeiro lugar do grupo, invicta, para o Torneio das Nações Africanas. Angola não aceitou vestir a camisa brasileira pois era uma grande oportunidade que tinha de sagrar-se campeã africana. E não deu outra…

Estava difícil arranjar um substituto para o Brasil pois, outra seleção que tinha um bom plantel era a de Moçambique que, já há muito estava mais para o lado da Commonwelth. Os outros países de língua oficial portuguesa não tinham boas seleções, na altura.

A solução foi encontrada pela Guiné. Treinar-se um combinado com os melhores jogadores de países cujas seleções não estivessem envolvidas nas competições. A própria Guiné formou o meio-campo. Os atacantes e o guarda-redes eram de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. A zaga completa, inclusive, os reservas, era da Galícia que mesmo sendo considerada uma defesa de grande categoria, só disputava os regionais na equipa que pertencia. O guarda-redes suplente era um luso-americano de Nova Jersei. E assim foi constituída a seleção que venceu a Copa América representando o Brasil, que por sua vez…

Ena!… que uma coisa dessas é tão boa que eu quero viver para ver portanto, vou começar de novo a história:

Corre o ano da graça de 2024…

Ano gracioso em que o mundo falou português.

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