28 February 2021
O novo presidente da Guiné-Bissau José Mário Vaz, investido no cargo, elegeu o combate à pobreza como umas das prioridades enquanto chefe de Estado guineense.

Novo presidente guineense José Mário Vaz

No seu discurso de posse no Estádio Nacional 24 de setembro em Bissau, prometeu “meter as mãos na lama” – expressão que significa trabalhar arduamente – para produzir riqueza no país.

“Temos que meter as mãos na lama e pôr a economia guineense a funcionar e a produzir riqueza para atacar e resolver os problemas que afetam a nossa sociedade”, disse José Mário Vaz.

Anunciando uma “parceria estratégica” entre Presidente e Governo, afirmou que a Guiné-Bissau não pode continuar a ser um país onde “uma minoria” trabalha e produz riqueza para a “maioria sem trabalho”.

O novo chefe de Estado, investido no cargo perante milhares de guineenses que encheram o Estádio Nacional 24 de Setembro, defendeu ter chegado a hora de o país definir uma estratégia que deve ser seguida para o futuro.

Para José Mário Vaz, a Guiné-Bissau está hoje aparentemente “num beco sem saída” devido às mudanças constantes de rumo e ausência de políticas em setores como educação, economia ou justiça.

O novo líder guineense, eleito em maio, recorreu à expressão popular em crioulo “djitu tem ku tem” (tem que haver jeito) para galvanizar os seus concidadãos para o que diz ser “uma nova era”.

“Como Nação só chegaremos com sucesso a algum lado se soubermos para onde queremos ir. Nós passámos estes anos a anunciar, a anular e a anunciar de novo, medidas, leis, opções políticas, programas e projetos mal avaliados”, observou José Mário Vaz.

A valorização dos recursos humanos terá que ser o fator primordial na elaboração da “verdadeira estratégia nacional” que possa ajudar a “corrigir o rumo” da economia e o desempenho político.

Na tal estratégia nacional deve ser dada ênfase às reformas, promoção da unidade nacional e criação de consensos com todos os segmentos da sociedade, incluindo os militares, sublinhou José Mário Vaz.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e a situação agravou-se nos últimos dois anos liderados por autoridades de transição – nomeadas depois do golpe de abril de 2012.

Hoje os serviços públicos (incluindo forças de segurança) acumulam seis meses de salários em atraso, o aparelho de Estado não funciona e a economia caiu a pique – queda agravada pela corrupção e saque de recursos naturais, denunciam organizações nacionais e estrangeiras, tópicos que o novo Presidente também aponta como prioritários.

Após a cerimónia de posse, José Mário Vaz recebeu na sua residência particular o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, para um encontro à porta fechada de alguns minutos e sem declarações aos jornalistas.

Pela manhã, ao chegar a Bissau, Machete garantiu que Portugal vai apoiar o Estado guineense e facilitar contactos para o país obter outras ajudas substanciais junto da União Europeia (UE).

“É com muita emoção e satisfação que saudamos a renovação democrática da Guiné-Bissau. Espero que desta vez as coisas corram bem”, referiu.

LFO // EL Lusa/fim


Foto: O Presidente eleito da Guiné-Bissau, José Mário Vaz no Palácio de Belém, em Lisboa, 19 de junho de 2014. MIGUEL A. LOPES/LUSA

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