Praia, 09 nov 2021 (Lusa) – O Presidente da República cabo-verdiano defendeu hoje, durante o seu discurso de tomada de posse, que ninguém deve ser prejudicado profissionalmente por causa das suas ideias, opções políticas ou outras escolhas e comprometeu-se a defender a oficialização do crioulo.

Num discurso lido em português e crioulo e interrompido várias vezes por aplausos dos que assistiram à cerimónia, que decorreu na Assembleia Nacional, na cidade da Praia, ilha de Santiago, José Maria Neves agradeceu a quem o seguiu no seu já longo percurso político que o conduziu ao cargo de chefe de Estado, o quinto de Cabo Verde.

O ex-primeiro-ministro manifestou preocupação com o estado do país e os “enormes desafios” que enfrenta, uma vez que “vive uma situação de crise, revelada e agravada pela pandemia” que teve “efeitos profundos nos planos económicos social e emocional”.

E expressou o seu cuidado com indicadores como a dívida e o défice públicos, que atingiu “níveis preocupantes”, assim como as “elevadas taxas de desemprego e manchas significativas de desemprego”.

A prioridade social é, por isso, a “reconstrução do país neste ciclo doloroso do período pós pandemia”, disse, classificando esta uma “tarefa exigente que exige a colaboração de toda a nação”.

José Maria Neves disse que este é “um tempo de cerrar fileiras” e para “todos juntos” darem o seu melhor para o progresso de Cabo Verde.

“Precisamos de soluções e respostas que vão ao encontro das pessoas”, referiu, defendendo um debate “com sinceridade e sentido de resultados”, pois “não se pode discutir com duas pedras nas mãos”, o que “não é salutar nem produtivo”.

Recordando os feitos dos cabo-verdianos em áreas como a cultura, desporto, academia, inovação e tecnologias, José Maria Neves defendeu “mais eficiência na execução e eficácia nos resultados”.

“Não podemos nos contentar com a mediania. Não podendo ser perfeitos, devemos procurar todos os dias a perfeição”, afirmou.

Neste seu primeiro discurso como Presidente da República, José Maria Neves elegeu como uma das suas “preocupações fundamentais” a justiça que, apesar dos “investimentos feitos ao longo dos anos” se traduz num “descontentamento da sociedade” com a sua morosidade, ou quando não existe de todo.

Perante centenas de convidados, entre os quais cinco chefes de Estado (Angola, Senegal, Portugal, Gana e Guiné-Bissau), o chefe de Estado cabo-verdiano defendeu uma total independência da comunicação social.

“É notável o caminho percorrido nestes 46 anos de independência, mas nem todos os ganhos estão a salvo”, advertiu, preconizando uma imprensa livre e democrática, tanto nas mãos do setor público, como privado.

Palavras de José Maria Neves também contra a “clivagem simplista” entre os setores público e privado, optando antes por uma aposta em parcerias entre o Estado e o privado, “setores fundamentais da economia”.

A questão dos transportes, muito problemática em Cabo Verde, não foi esquecida pelo novo Presidente da República, que calcificou este um “caso paradigmático”.

José Maria Neves defende “uma forte ação junto de países asiáticos e países do golfo pérsico”, além de um reforço do relacionamento com instituições como a NATO e uma “máxima atenção” à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Para último, José Maria Neves reservou uma sua “preocupação fundamental”: A língua cabo-verdiana.

“Vou estar na linha de frente do combate para a oficialização do nosso crioulo”, levando em conta as variantes de todas as ilhas.

A terminar, José Maria Neves prometeu ser “um ouvidor geral da República, um Presidente presente e atuante, um Presidente de afeto, com quem todos podem contar”.

SMM // VM – Lusa/Fim

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